17/09/2026

As pessoas não imaginam o poder dos seus atos de bondade, aponta estudo

“Não tenho certeza se sei exatamente o que significa ‘sua alma é dourada'”, disse Alexander, que riu e chorou ao lembrar do incidente.

Mas o calor daquele pequeno e inesperado gesto, partindo de uma estranha que não fazia ideia do que ela estava passando, a comoveu profundamente.

“É claro que eu continuei muito triste”, disse. “Mas aquela pequena coisa melhorou o resto do meu dia.”

Novas descobertas, publicadas no Journal of Experimental Psychology em agosto, confirmam que experiências como a de Alexander podem ser poderosas. Os pesquisadores descobriram que as pessoas que realizam atos aleatórios de bondade tendem a subestimar o quanto os destinatários irão apreciá-los. E eles acreditam que um erro de cálculo pode impedir muitas pessoas de fazerem coisas boas para outras com maior frequência.

“Temos esse viés de negatividade quando se trata de conexão social. Simplesmente não achamos que o impacto positivo de nossos comportamentos seja tão positivo quanto é”, disse a psicóloga Marisa Franco, autora de “Platonic: How the Science of Attachment Can Help You Make –and Keep– Friends” (Platônico: como a ciência do apego pode ajudá-lo a fazer –e manter– amigos, em português), que não trabalhou na pesquisa citada.

“Espero que um estudo como este inspire mais pessoas a realmente praticarem atos aleatórios de bondade”, disse ela.

O GRANDE PODER DOS PEQUENOS GESTOS

O estudo recente incluiu oito pequenos experimentos que variaram em design e número de participantes. Num deles, por exemplo, solicitaram a alunos de pós-graduação que realizassem atos pensados de sua própria escolha, como dar carona a um colega de classe, assar biscoitos ou comprar uma xícara de café para alguém.

Em outro, os pesquisadores recrutaram 84 participantes em dois fins de semana frios na pista de patinação no gelo do Maggie Daley Park, em Chicago. Eles receberam um chocolate quente do quiosque de lanches e lhes disseram que poderiam ficar com ele ou entregá-lo a um estranho como um ato deliberado de bondade.

Os pesquisadores pediram aos 75 participantes que doaram seu chocolate quente para que advinhassem o quão “grande” o ato de bondade seria para o destinatário em uma escala de 0 a 10 e prever como o destinatário classificaria seu próprio humor (variando de muito mais negativo que o normal a muito mais positivo que o normal) ao receber a bebida. Pediram então para aqueles que receberam os chocolates quentes para relatarem como realmente se sentiram usando as mesmas escalas.

Nesse experimento –e em todos os outros– as pessoas que praticaram a bondade constantemente subestimaram o quanto ela era de fato apreciada, disse um dos autores do estudo, Amit Kumar, professor assistente de marketing e psicologia da Universidade do Texas em Austin.

“Acreditamos que essas expectativas mal calibradas são importantes para o comportamento”, disse ele. “Não conhecer o próprio impacto positivo pode atrapalhar as pessoas que praticam esse tipo de gentilezas na vida cotidiana.”

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