As eleições de 2022 terão um recorde de candidaturas ligadas às religiões de matriz africana, indica levantamento da Folha com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Neste ano, 29 líderes do candomblé e da umbanda concorrem utilizando orixás ou os títulos de pai e mãe de santo no nome de urna. Isso equivale a 4% do total de religiosos inscritos para a eleição.
Mas o número é maior, já que nem todos adotam explicitamente as funções nos terreiros ou os nomes das divindades. É o caso da própria Mãe Bernadete de Oxóssi, que aparecerá nas urnas apenas como Bernadete.
“Sou ialorixá, mas também militante do movimento negro, mulher camponesa e assentada. A religião é mais um elemento da nossa cultura enquanto povos tradicionais”, afirma.
As candidaturas do candomblé ou da umbanda identificadas a partir dos nomes de urna são todas para deputado estadual ou federal e estão espalhadas por 14 estados. Pouco mais da metade se concentra em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
O PDT é o partido com mais representantes. A lista tem 14 legendas, entre elas o PL, do presidente e postulante à reeleição Jair Bolsonaro, e o Republicanos, sigla ligada à Igreja Universal do Reino de Deus.
No geral, as candidaturas de líderes espirituais de todas as vertentes cresceram 13% em relação a 2018 e também batem recorde neste ano. São 793 postulantes com nomes associados a cultos ou que declaram o sacerdócio como ocupação profissional.
Pelo menos 70% são de igrejas evangélicas. Mas essa parcela pode ser bem maior, pois há títulos inconclusivos, como bispo e missionário, que são mais frequentes nesse segmento. A maioria (461) usa as funções de pastor e pastora no nome de urna.
Segundo o Ceap (Centro de Articulação de Populações Marginalizadas), entidade que atua no combate à intolerância religiosa e ao racismo, houve 47 episódios violentos em 2021 só no estado do Rio, parte deles cometida por agentes públicos.
Folhapress





