17/09/2026

Morre estilista Giorgio Armani, aos 91 anos

O estilista italiano Giorgio Armani morreu, conforme informou sua empresa nesta quinta-feira (4/9).

“Com infinita tristeza, o Grupo Armani anuncia o falecimento de seu criador, fundador e incansável força motriz: Giorgio Armani”, disse a casa de moda em um comunicado.

Armani, aos 91 anos, era sinônimo de estilo e elegância italianos modernos. Ele combinava o talento de um estilista com a perspicácia de um empresário, comandando uma empresa que faturava cerca de 2,3 bilhões de euros (cerca de R$ 14,5 bilhões) por ano.

Ele estava doente há algum tempo e foi forçado a abandonar os desfiles de seu grupo na Semana de Moda Masculina de Milão, em junho, a primeira vez em sua carreira que perdeu um de seus eventos de passarela.

Conhecido como “Re Giorgio” — Rei Giorgio — o estilista era famoso por supervisionar cada detalhe de sua coleção e cada aspecto de seu negócio, desde a publicidade até o penteado das modelos antes de entrarem na passarela.

Uma câmara funerária será montada no sábado e domingo em Milão, informou a empresa, seguida de um funeral privado em data não especificada.

Incentivado por seu companheiro, Sergio Galeotti, morto em 1985, o estilista fundou a Giorgio Armani em 24 de julho de 1975, dias após o seu 41º aniversário (ele nasceu em 11 de julho de 1934). Tarde para os padrões da indústria. Natural de Piacenza, no norte da Itália, Armani, filho de um contador, chegou a estudar Medicina (era fascinado por anatomia), mas não concluiu o curso. Passou pelo Exército e teve sua primeira experiência no métier como comprador na loja de departamentos La Rinascente, em Milão.

Na sequência, foi contratado para desenhar a linha masculina de Nino Cerruti e não parou mais. Em voo solo, estourou com uma ideia audaciosa: a desconstrução do terno. Armani revolucionou o guarda-roupa masculino e feminino.

O cinema teve papel-chave na escalada de Giorgio Armani. O filme “Gigolô americano”, de 1980, estrelado por Richard Gere vestindo a alfaiataria do estilista, é considerado um divisor de águas em sua trajetória.

Após o filme, Armani colaborou com outras 250 produções, como “Os intocáveis, de Brian de Palma, e “Beleza roubada”, de Bertolucci.

Em 1981, o italiano lançou a Emporio Armani — um dos destaques da semana de moda de Milão. No ano seguinte, mais um feito: apareceu na capa da revista “Time”. Ele foi o primeiro estilista a conseguir a façanha depois de Christian Dior, em 1957. Ainda em 1982, Armani colocou no mercado sua linha de underwear. Aliás, as campanhas de roupas íntimas costumam fazer barulho. Pudera. David Beckham, Cristiano Ronaldo e Rafael Nadal posaram com as cuecas — e só com elas.

Reservado, signore Armani (como é tratado por todos) não costuma ter sua privacidade escancarada nos tabloides. As horas vagas — uma raridade— eram gastas com a família e os amigos, às vezes em seu barco. Nas viagens, era ciceroneado por uma comitiva. Segundo o “The Guardian”, eram assessores, guarda-costas e executivos — ele não tinha filhos, mas estava sempre com a sobrinha Roberta.

Nas entrevistas, Armani não tinha medo de dar sua opinião. Certa vez, o estilista afirmou à “The Sunday Times Magazine” que gays “não precisam se vestir como homossexuais”, causando o maior rebuliço nas redes. Sem falar na rixa que tinha com Gianni Versace, morto em 1997.
E este é o máximo de polêmica em que ele se permitiu envolver. Foi ou não foi um Signore discreto?
CNN Brasil com O Globo

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