Rússia e Ucrânia concordaram em estender por mais quatro meses a validade do acordo que assegura a exportação de grãos pelo mar Negro, anunciou a ONU nesta quinta-feira (17/11). O mecanismo cria um corredor marítimo seguro para que os produtos sejam escoados e é visto como central para aliviar a crise de alimentos.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse que a organização está comprometida a remover obstáculos à exportação de alimentos e fertilizantes russos, parte do acordo considerada crítica por Moscou. Não foram estabelecidos prazos, no entanto.
A ONU e Kiev pleiteavam que o acordo, estabelecido inicialmente em julho, fosse estendido por mais um ano. O prazo final de quatro meses se deu após negociação com o governo russo, que chegou a ameaçar a suspensão do mecanismo no início de novembro.
Até aqui, cerca de 11 milhões de toneladas de produtos agrícolas que estavam parados em portos ucranianos desde o estopim da guerra, em fevereiro, foram embarcados sob o acordo de grãos, que conta também com apoio do governo da Turquia. O número inclui 4,5 milhões de toneladas de milho e 3,2 milhões de toneladas de trigo.
Kiev também tentou alargar o acordo para que, além dos três portos contemplados —Odessa, Tchornomorsl e Pivdenni, com capacidade para embarcar cerca de três milhões de toneladas por mês—, fossem incluídos portos de Mikolaiv, responsáveis por 35% das exportações de alimentos do país antes da invasão russa.
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, sugeriu que exportações russas de grãos possam ser enviadas inicialmente para a Turquia, onde seriam transformadas em farinha para depois serem enviadas a países da África, continente para afetado pela escassez de alimentos.
Moscou reclama que as garantias para assegurar que suas próprias exportações sejam retomadas são insuficientes. Os produtos agrícolas não estão sujeitos à série de sanções econômicas contra Moscou aplicadas pelo Ocidente, mas os riscos de conflitos no mar Negro fazem com que poucas empresas e cargueiros aceitem fazer o transporte.
Com o aumento dos preços do gás —também consequência da guerra—, a Europa suspendeu 70% de sua produção de fertilizantes. Somado à quase ausência de fertilizantes russos no mercado, o fator levou a um aumento de 250% no preço do produto em comparação com valores pré-pandemia de Covid, estima a ONU.
Folhapress





