17/09/2026

Ex-vendedor de biquínis vira banqueiro e atrai investidores milionários.

Antes de fundar a Neon, uma fintech que já arrecadou quase R$ 4 bilhões em investimentos desde sua criação, Pedro Conrade, 30, começou sua carreira com uma loja de biquínis no Guarujá, litoral de São Paulo, ainda na adolescência.

Após ganhar uma bolsa de estudos e se mudar para a capital paulista, a distância impediu que a loja de biquínis continuasse funcionando. Mas outros negócios acabaram surgindo.

Fundou outras startups com um sócio até abrir a Neon, que já conta com 22 milhões de clientes. Hoje, depois de 14 anos, Conrade é um bem-sucedido empresário do setor financeiro. “Sempre fui um empreendedor.”

“Eu não me considero um vendedor de biquíni nem um banqueiro. Sempre fui um empreendedor. Nasci querendo ter o meu próprio negócio.

A loja começou quando uma amiga de São Paulo falou que ia para o Guarujá e não encontrava biquíni por um bom preço e com qualidade. Meu pai me deu um dinheiro para pintar a loja, montar a vitrine e comprar os manequins. A gente foi ao Brás comprar biquínis. Etiquetei pelo dobro do valor e saí vendendo. Simples assim. Eu tinha 16 anos, estudava e cuidava da loja. Foram dois anos assim. Aí consegui uma bolsa para administração na FGV em São Paulo, fui fazer faculdade, mas continuei com a loja.

As vendas caíram, o estoque começou a não bater. Tudo deu errado. Aprendi que o olho do dono engorda o porco. Tem que estar perto. As coisas não vão no automático.”

“A Neon começou como uma empresa de tecnologia, sem licenças de instituição financeira. Fizemos parcerias com bancos para poder operar. Com o tempo, conseguimos licenças de instituição de pagamento, DTVM [Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários ] —por meio da aquisição da Magliano—, e, recentemente, de financeira com a compra da Biorc. A primeira rodada de investimentos da Neon foi de R$ 855 mil com 14 investidores-anjo. Eu vejo as startups hoje começando com um cheque de US$ 3 milhões e ainda reclamam. Eu tive que ralar para conseguir investidores. Até hoje, a empresa levantou mais de R$ 3,7 bilhões em investimentos.”

“Na Neon, as pessoas têm acesso a diferentes créditos. A gente, quando analisa o usuário, sabe se está negativado. E aí damos a chance de a pessoa construir o crédito conosco. Vem aqui na Neon, usa nossa conta por dois ou três meses, paga uma conta de luz, recebe seu salário, faz sua portabilidade. A gente entende seu comportamento e quase esquece do seu passado. Aliás, 80% da nossa aprovação vêm 30, 60 ou 90 dias após a pessoa estar na Neon.”
Folhapress

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