A Coreia do Norte criticou um recente acordo entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul, que reforça a implantação de ativos estratégicos americanos na região, por escalar a tensão “à beira de uma guerra nuclear”. A represália foi publicada pela imprensa estatal KCNA nesta segunda (1°/5), pelo horário local (domingo à noite em Brasília).
O presidente dos EUA, Joe Biden, e o presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, se reuniram numa cúpula na semana passada, durante a qual Biden prometeu ajudar Seul no seu planejamento nuclear, à medida que cresce a ansiedade a respeito do programa de armamento do país vizinho.
Ambos os líderes concordaram em fortalecer as defesas da Coreia do Sul contra a ditadura da Coreia do Norte. Como parte dos esforços, um submarino de mísseis balísticos com armas nucleares da Marinha dos EUA visitará a Coreia do Sul pela primeira vez desde a década de 1980.
A KCNA informou que o acordo estipulava a disposição dos aliados de tomar “a ação mais hostil e agressiva” contra a Coreia do Norte, citando Choe Ju Hyon, um analista de segurança internacional. “A instalação de ativos estratégicos americanos colocou a situação da península coreana em um pântano de instabilidade e pretende construir blocos militares agressivos e exclusivos na região”, afirmou.
“É o objetivo sinistro hegemônico perseguido pelos EUA transformar toda a Coreia do Sul em seu maior posto avançado de guerra nuclear no Extremo Oriente e usá-lo efetivamente para alcançar sua estratégia de dominar o mundo”, acrescentou.
A cúpula marcou uma nova e perigosa era, consonante com o clima beligerante do mundo atual, no qual a Guerra da Ucrânia se mostra a face aguda do confronto geopolítico maior entre EUA e China. No caso coreano, é o fim da tentativa dos EUA de desnuclearizar a península, iniciada com a diplomacia personalista de Donald Trump. De 2017 a 2019, o então presidente americano primeiro pressionou o “homem-foguete” Kim, ameaçando usar “fogo e fúria” contra o ditador, mas depois abriu as portas a ele.
Reuters





