O conservador Santiago Peña, 44, superou o liberal Efraín Alegre, 60, e foi eleito presidente do Paraguai neste domingo (30/4). Contrariando as expectativas de um pleito acirrado, o partido Colorado alcança sua vitória mais folgada contra a oposição em 25 anos.
O economista de direita assume o governo em agosto e garante mais cinco anos de hegemonia à sigla, que já comanda o país há quase 70 anos. A exceção foi a gestão do ex-bispo de esquerda Fernando Lugo, de 2008 a 2012, que sofreu um impeachment a meses de completar o mandato.
O resultado é, sobretudo, uma nova demonstração de força do ex-presidente e líder do partido, Horacio Cartes, homem mais poderoso do país. Mesmo tendo sido classificado como “significativamente corrupto” pelos Estados Unidos, o dono de bancos e empresas de cigarros conseguiu eleger seu apadrinhado. Peña entrou na política como seu ministro da Fazenda, de 2015 a 2017.
Com 100% das urnas apuradas, Peña teve 42,7% dos votos, contra 27,5% de Alegre. O opositor formou uma coalizão de centro-esquerda a centro-direita, mas não conseguiu superar o favoritismo e a máquina política do rival —a grande maioria dos funcionários públicos no país, por exemplo, é filiada ao Colorado.
No discurso de vitória, o presidente eleito repetiu a promessa de que vai criar empregos e agradeceu a Cartes, que estava ao seu lado. “Você acreditou em mim quando eu não tinha nenhuma história nem experiência política e me deu a oportunidade de sair pelo Paraguai, de abraçar a direção do partido e a cada um dos que fazem com que esse núcleo político centenário seja eterno”, disse.
Uma vez empossado, Santiago Peña terá como principais desafios lidar com uma estagnação econômica que acomete o país desde a pandemia da Covid-19, além de índices altíssimos de informalidade no trabalho (no mesmo nível há uma década) e o crescimento da violência, especialmente na fronteira com o Brasil.
Folhapress





