Principal personagem de um imbróglio que culminou com o cancelamento da cerimônia de abertura da principal feira de tecnologia agrícola da América Latina, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) driblou o cancelamento do ato e usou um evento do Governo de São Paulo, comandado por seu aliado Tarcísio de Freitas (Republicanos), para discursar aos ruralistas presentes à Agrishow, em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo).
A organização da feira anunciou sábado (29/4) o cancelamento da tradicional cerimônia de abertura após a polêmica envolvendo o “desconvite” ao ministro Carlos Fávaro (Agricultura) para que não comparecesse ao ato, que contaria com a presença de Bolsonaro.
Isso ocorreu em uma conversa entre o ministro e o presidente da feira, Francisco Matturro, que desencadeou uma crise que culminou na ameaça do governo Lula de o Banco do Brasil cancelar o patrocínio à feira.
Mesmo sem cerimônia oficial, Bolsonaro –em sua primeira viagem pelo país após retornar de um período de três meses nos Estados Unidos– manteve sua programação e desembarcou em Ribeirão pouco antes das 14h deste domingo (30), quando foi recebido por uma multidão no aeroporto.
Após cumprimentar apoiadores, subiu na caçamba de uma camionete e percorreu cerca de 18 quilômetros até a fazenda do ruralista Paulo Junqueira, responsável pelo convite para Bolsonaro visitar a feira agrícola.
Nesta segunda-feira (1º/5), chegou à Agrishow pouco antes das 11h, com um forte esquema de segurança e entrou o auditório do governo paulista na fazenda que abriga a feira agrícola para dizer que o agronegócio “precisa de políticos que não atrapalhem” o setor.
“Isso que fiz ao longo do meu mandato, com meus ministros”, e passou a criticar as homologações de terras indígenas assinadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem chamou de “cidadão que está no Palácio”.
“Vocês devem saber que há 400 pedidos de demarcações de terras indígenas e pelo menos 3.500 de quilombolas. E aquele cara disse que faria o possível para atender os anseios das comunidades. Se 10% forem atendidos, para onde irá nosso agro? Peço a Deus para isso não acontecer”, disse Bolsonaro, que discursou por sete minutos e foi saudado diversas vezes como “mito”.
Tarcísio iniciou seu discurso cumprimentando Bolsonaro e disse que “não é mistério para ninguém a gratidão” que tem pelo ex-presidente, que no cerimonial foi apresentado como “presidente”.
“Sempre trouxe para sua equipe os louros, sempre deu o crédito para aqueles que o acompanhavam”, disse o governador.
O governador ainda disse que não vai tolerar invasões de terra em São Paulo e que vai investir em conectividade para eliminar zonas de sombra de sinais de telefonia em todo o estado, como já havia feito sábado (29) na Expozebu, em Uberaba.
Ao terminar o evento, Bolsonaro e Tarcísio, acompanhados pelo senador Marcos Pontes (PL), por ruralistas e por deputados, percorreram ruas da Agrishow, subiram em máquinas e tratores. Numa delas, Bolsonaro abriu uma bandeira e os apoiadores começaram a cantar o hino nacional.
Folhapress





