Ronaldo Nazário de Lima, 45 anos, ia para seu quarto compromisso profissional do dia quando sentou para conversar com a coluna em uma agência de publicidade em São Paulo, na segunda (27). “Ah, que sono me dá depois do almoço”, exclamou.
A refeição no meio da tarde tinha sido um combinado de sushis que ele engoliu de pé enquanto conversava com Eduardo Baraldi e Otávio Pereira, sócios e executivos na holding Oddz Network, do ex-jogador.
Dono do Cruzeiro (não se vê como cartola, apelido dado a dirigentes poderosos do futebol brasileiro), quer subir o time mineiro para a Série A e reduzir as dívidas acumuladas nos últimos anos.
A compra foi anunciada em dezembro de 2021 e efetivada em abril deste ano, não sem percalços. Ronaldo ficou com 90% das ações do clube, com a promessa de investir R$ 400 milhões. Conselheiros criticaram os termos do acerto e tentaram levar o caso para a Justiça.
“Cada gaveta que abrimos sai uma dívida, um problema”, afirma. “Mas agora não tem volta”, completa.
Longe, mas nem tanto, do futebol, planeja crescer sua holding, a Oddz, criada em 2021, que concentra os negócios do ex-jogador em mídia e entretenimento. Os clubes Cruzeiro e Valladolid não fazem parte do grupo.
Em 2022, ele prepara uma captação de investimentos no mercado para atrair sócios, que poderão adquirir 15% do negócio. A rodada de conversas com investidores está em andamento e o plano é receber aportes somados de até R$ 200 milhões, o que faria da empresa um grupo avaliado em mais de R$ 1 bilhão.
O modelo que ele e seus executivos criaram replica a experiência de atletas dos EUA, como o jogador de basquete LeBron James. O astro não é apenas garoto propaganda de marcas, mas participa e lucra, claro, com a produção do conteúdo e sua distribuição.
Ronaldo, por exemplo, é sócio de uma produtora que lançará três documentários: um sobre a carreira dele, outro contando os bastidores da temporada do Cruzeiro e um terceiro sobre as mudanças na estrutura do futebol brasileiro.
“Não sou um cartola, que é um termo adjetivado. Sou um gestor. Eu trabalho para mim, não tenho chefe, não tenho sócio e procuro fazer o que é melhor para os meus clubes.
Folhapress





