A Ucrânia afirmou nesta sexta (28/4) pela primeira vez que está pronta para iniciar sua antecipada contraofensiva. Os invasores russos, por sua vez, voltaram a fazer um grande ataque com mísseis após quase dois meses, matando ao menos 21 pessoas.
“Falando globalmente, nós estamos prontos em alto percentual. Assim que houver a vontade de Deus, o tempo e a decisão dos comandantes, nós vamos fazer [a ofensiva]”, disse o ministro da Defesa, Oleksii Reznikov, em uma entrevista coletiva online.
Os ucranianos estão em modo defensivo desde que retomaram a cidade de Kherson, a maior que havia sido ocupada pela Rússia na guerra iniciada em fevereiro do ano passado por Vladimir Putin. Passaram o inverno do Hemisfério Norte sob grande pressão em Donetsk, com os adversários praticamente tomando a cidade de Bakhmut, mas sem conseguir fazê-lo totalmente.
Para tentar marcar simbolicamente a ideia de que a vitória é uma questão de tempo, o premiê russo, Mikhail Michustin, deu uma rara declaração sobre a guerra, dizendo que visitou Bakhmut recentemente. Prometeu, a exemplo da arrasada Mariupol (sul), reconstruir a cidade.
O “moedor de carne” estabelecido lá já é visto como o mais mortal embate entre Estados desde a Segunda Guerra Mundial, e o ora insondável número de mortos de ambos os lados pode estar na casa dos dezenas de milhares.
Agora, reforçada pelo que a Otan (aliança militar ocidental) disse serem 230 tanques e 1.550 blindados, Kiev se prepara para tentar dar o troco. Seus planos não são, claro, públicos, mas a maioria dos observadores crê em um ataque contra Kherson e Zaporíjia, 2 das 4 regiões anexadas por Moscou em setembro.
Nos últimos meses, à parte da ofensiva em Bakhmut, os russos se concentraram em reforçar suas defesas, o que torna a tarefa de Kiev mais difícil. Camadas diversas de trincheiras, campos minados e reforços de artilharia são vistas ao longo de 800 km de frente por imagens de satélite, e a principal cidade da Crimeia, Sebastopol, está em ritmo de guerra.
Lá, baterias antiaéreas estão de prontidão contra ataques de aviões-robôs ucranianos, e um sistema como múltiplas redes de proteção foi instalado em torno do porto, que sedia a Frota do Mar Negro da Rússia, contra drones submarinos, que já foram usados contra o local.
Folhapress





