Um político de São Petersburgo pediu aos promotores que investiguem o presidente da Rússia, Vladimir Putin, por usar a palavra “guerra” para descrever a Guerra na Ucrânia, acusando o chefe do Kremlin de violar sua própria lei.
Durante os dez meses do conflito, Putin descreveu a invasão como uma “operação militar especial”. Ele assinou leis em março que preveem multas pesadas e penas de prisão por desacreditar ou espalhar “informações deliberadamente falsas” sobre as Forças Armadas, colocando as pessoas em risco de serem processadas se chamarem a guerra pelo nome.
Mas ele se afastou de sua linguagem habitual na quinta-feira (22/12), quando disse a repórteres: “Nosso objetivo não é girar o volante do conflito militar, mas, ao contrário, acabar com esta guerra”.
Nikita Iuferev, um conselheiro da oposição na cidade onde Putin nasceu, disse que sabia que sua contestação legal não levaria a lugar nenhum, mas a apresentou para expor o que ele chama de “falsidade” do sistema.
“É importante para mim fazer isso para chamar a atenção para a contradição e a injustiça dessas leis que ele [Putin] adota e assina, mas que ele mesmo não observa”, disse Iuferev à agência de notícias Reuters. “Acho que quanto mais falarmos sobre isso, mais as pessoas duvidarão de sua honestidade, de sua infalibilidade, e menos apoio ele terá.”
Em sua contestação, apresentada em carta aberta, Iuferev pediu ao procurador-geral e ao ministro do Interior que “responsabilize Putin perante a lei por espalhar notícias falsas sobre ações do Exército russo”. Observou ainda que críticos do presidente que chamaram a guerra de guerra publicamente sofreram duras punições.
Reuters





