18/09/2026

Premiê do Japão vai a Kiev, e Rússia faz alerta com bombardeiros nucleares.

Em mais um capítulo do entrelaçamento das tensões da Guerra da Ucrânia com o contexto geral da Guerra Fria 2.0 entre Estados Unidos e China, a Rússia fez uma patrulha ostensiva com dois bombardeiros capazes de empregar armas nucleares perto do Japão no dia em que o premiê do país asiático visitava Kiev.

O “timing” do encontro do japonês Fumio Kishida com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, nada tem tem de incidental: ele ocorre enquanto o líder chinês, Xi Jinping, encontra-se em Moscou visitando Vladimir Putin, o homem que mandou invadir o vizinho há quase 13 meses.

A resposta russa, mesmo que a alegação de voo rotineiro do Ministério da Defesa seja verdadeira, foi igualmente simbólica. Dois grandes bombardeiros quadrimotores Tu-95MS saíram de bases no Extremo Oriente do país para uma patrulha de sete horas sobre o mar do Japão, escoltados por caças Su-35S e Su-30SM.

Adensando o enredo, o voo ocorre um dia depois de que um caça russo interceptou dois bombardeiros estratégicos americanos B-52 na região do mar Báltico, segundo o relato de Moscou para evitar que eles invadissem seu espaço aéreo.

O Japão é um dos países mais afetados pela Guerra Fria 2.0. Rival histórico da China, ele viu sua posição de maior economia asiática ser tomada por Pequim nas últimas décadas. Aliado primário dos EUA na região, sempre buscou equilíbrio na relação.

Com o acirramento da disputa estratégica entre a China de Xi, no poder desde 2012, e os EUA, que desembocou no embate lançado como uma briga comercial por Donald Trump em 2017, o Japão caiu de vez no colo americano.

Rompeu seu antimilitarismo vigente desde a derrota na Segunda Guerra Mundial, prometeu ampliar o gasto no setor e pode até tirar da Constituição o compromisso de não usar suas forças só para se defender.

Kishida, um dos herdeiros da política do premiê Shinzo Abe, assassinado em 2022 após dois anos fora do poder, abraçou a agenda americana para o Indo-Pacífico e passou a também alertar a China contra uma eventual retomada à força de Taiwan, ilha autônoma que Pequim considera sua e que tem ameaçado militarmente.
Folhapress

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