17/09/2026

Plano de recuperação da Americanas prevê venda de avião e de hortifruti.

A primeira versão do plano de recuperação judicial da Americanas foi entregue no fim da noite desta segunda-feira (20/3). A varejista tinha até quarta-feira (22) como prazo máximo para apresentar o documento à Justiça.

Com dívidas declaradas de R$ 43 bilhões na entrega do pedido de recuperação judicial, em 19 de janeiro, a Americanas figura como a quarta maior recuperação judicial da história brasileira, só atrás de Odebrecht (R$ 80 bilhões), Oi (R$ 65 bilhões) e Samarco (R$ 55 bilhões).

Segundo fato relevante divulgado pela companhia, houve um aporte da ordem de R$ 10 bilhões “de forma a assegurar os recursos mínimos necessários para a implementação dos termos e condições de reestruturação dos créditos contemplados no Plano”.

A Americanas estima ainda que receberá de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões pela unidade de negócios Hortifruti Natural da Terra, a participação da companhia no Grupo Uni.Co e uma aeronave.

Uma das opções propostas pela companhia para os credores é a de um “leilão reverso voluntário”, em que um pagamento antecipado de até R$ 2,5 bilhões seria destinado aos credores que toparem um desconto de ao menos 70% no valor da dívida.

Outras opções envolvem, por exemplo, a conversão de dívida em ações da companhia e recompra de dívida. Os descontos para os credores financeiros poderiam chegar a 80%.

A crise da varejista foi deflagrada no dia 11 de janeiro, quando o então presidente da Americanas, Sergio Rial, renunciou ao cargo e sugeriu que a empresa vinha escondendo dívidas equivalentes a R$ 20 bilhões em seu balanço, por conta de “inconsistências contábeis”.

O anúncio do escândalo contábil deu início a uma batalha judicial travada entre a varejista e seus maiores credores, os bancos, que culminou num pedido de recuperação judicial em menos de dez dias.

A partir de agora, de acordo com o advogado Filipe Denki, especialista em recuperação judicial do escritório Lara Martins Advogados, os credores terão até 30 dias para apresentar objeções ao plano. Se houver uma objeção ou mais, será convocada uma assembleia geral de credores, que votará pela aprovação, rejeição ou modificação do plano.
Folhapress

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