17/09/2026

Partido Comunista da China se reúne para elevar Xi Jinping a líder vitalício.

O 20.º Congresso do Partido Comunista da China começou neste domingo, 16/10, e o presidente Xi Jinping, de 69 anos, consolidou seu domínio quase imperial sobre o país, confirmando seu terceiro mandato e sendo aclamado como líder vitalício, uma honraria dada apenas a Mao Tsé-tung, ídolo de Xi.

A perpetuação de Xi como chefe de Estado não será oficialmente carimbada até que o Parlamento da China, o Congresso Nacional do Povo, se reúna em março de 2023. Mas o resultado é conhecido. Quando terminar o congresso, em uma semana, Xi se tornará uma espécie de monarca comunista.

Ao assumir um terceiro mandato como secretário-geral do Partido Comunista, ele eliminaria formalmente o sistema de transições ordenadas de liderança a cada dez anos, estabelecido em 2002 e 2012. “O terceiro mandato será um momento decisivo na história moderna da China”, disse ao Estadão Timothy Cheek, professor de história chinesa na Universidade Colúmbia. “O momento é como o das reformas de Deng Xiaoping, em 1979, que alteraram o curso do país.”

Poucos esperavam por isso em 2012, quando Xi ascendeu à liderança da China. Muitos pensavam que ele representava um partido que havia amadurecido após uma série de reformas que levaram ao que observadores externos viam como um sistema mais estável de governo coletivo. Para evitar cultos de personalidade ao estilo de Mao, o poder era confinado a dois mandatos de cinco anos. Xi, eles diziam, seria um reformador liberal.

“Essas previsões se mostraram equivocadas, porque pouco se sabe sobre as entranhas do PC da China”, disse Henry Gao, especialista da Universidade de Administração de Cingapura. “O PC estava preocupado com sua sobrevivência, depois de uma liderança considerada frouxa de Hu Jintao, da corrupção desenfreada, da briga interna, além do crescente descontentamento social.”

Xi foi alçado ao cargo para “limpar a bagunça”. Na última década, ele reverteu as mudanças políticas da década de 80 destinadas a evitar a centralização excessiva do poder. Acabou com os limites do mandato presidencial, reafirmou o controle do partido e elevou seu status pessoal a um nível nunca visto em pelo menos 30 anos – talvez desde Mao.
Estadão

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