Shoichiro Toyoda, chefe da gigante automotiva Toyota, que liderou a empresa quando ela expandiu a produção para a América do Norte na década de 1980 e ajudou a transformá-la em uma marca global, morreu na terça-feira (14/2), aos 97 anos.
Ele morreu de insuficiência cardíaca, disse a Toyota em comunicado, que não informou o local do falecimento.
Em uma década no comando da Toyota, Toyoda reuniu suas consideráveis habilidades em engenharia, administração, política e diplomacia para colocar a empresa fundada por seu pai firmemente no caminho para ultrapassar a General Motors como maior montadora do mundo.
A conquista foi ainda mais notável porque ele assumiu o comando da Toyota em 1982, no auge das tensões comerciais Estados Unidos-Japão, quando os carros japoneses se tornaram um poderoso símbolo dos temores americanos de que um Japão em ascensão substituísse os Estados Unidos como maior potência econômica mundial.
Apesar dessas tensões, Toyoda expandiu a produção de sua empresa para a América do Norte, primeiro formando uma aliança com a General Motors em 1984, antes de abrir a primeira fábrica americana da Toyota, em Kentucky, em 1988, cedendo à pressão americana para produzir carros nos Estados Unidos.
Ao final de seu mandato, ele havia expandido a produção globalmente, tornando a empresa verdadeiramente internacional.
Toyoda adotou uma abordagem pragmática para as relações entre os Estados Unidos e o Japão –então a primeira e a segunda maiores economias do mundo–, argumentando que, à medida que o Japão crescia, precisava trabalhar mais para cair nas boas graças de seus concorrentes, mensagem que ele incluiu na filosofia corporativa da Toyota.
Depois de deixar o cargo de executivo-chefe da empresa, ele se tornou em 1994 o chefe do lobby empresarial mais poderoso do Japão, onde ajudou a moldar os esforços do país para combater a estagnação econômica que começou no início dos anos 1990.
Shoichiro Toyoda nasceu em 27 de fevereiro de 1925, em Nagoya, cidade industrial portuária no centro do Japão, o segundo dos quatro filhos de Kiichiro e Hatako Toyoda. Teve uma infância privilegiada: em uma coluna de 2014 para o jornal Nikkei Shimbun, ele contou que seus colegas no ensino fundamental o provocaram quando ele revelou que tomava café da manhã com a “empregada” da família.
Seu pai fundou a Toyota Motor em 1937, desdobrando-a de uma fábrica de teares automáticos fundada por seu pai, Sakichi. O “d” de Toyoda foi alterado para “t” no nome da empresa porque ficava melhor quando escrito em japonês.
NYT





