O cientista russo acusado de compartilhar segredos de Estado com a China morreu no sábado (2/7), dois dias após ser preso. Dmitri Kolker, 54, foi detido e transferido para Moscou quando estava na cama de um hospital em uma cidade a 3.360 km da capital russa, tratando de um avançado câncer de pâncreas.
A morte foi confirmada pelos familiares de Kolker. “O FSB [serviço secreto russo] matou meu pai”, escreveu Maxim, filho do cientista, no VKontakte, rede social russa semelhante ao Facebook. A postagem incluiu um telegrama que informava a morte do cientista, em um hospital de Moscou, às 2h40.
“O quarto estágio do câncer de pâncreas é uma sentença. Mas [ele ia] cumprir essa sentença dentro dos muros de um centro de internação pré-julgamento, sem os devidos cuidados médicos. É a pior coisa que pode acontecer a uma pessoa”, escreveu a filha do cientista, Alina Mironova, segundo a imprensa local.
Doutor em física e matemática pela Universidade de Novosibirsk, cidade onde foi abordado pelos policiais, Kolker era acusado de colaborar com os serviços de segurança da China. Moscou e Pequim intensificaram suas ligações na esteira da Guerra da Ucrânia e, em fevereiro –pouco antes do início do conflito–, Vladimir Putin e o líder chinês, Xi Jinping, chamaram a aliança entre os países de “amizade sem limites”.
A prisão de Kolker, segundo seus familiares, estava relacionada a palestras para estudantes em uma conferência na China. De acordo com Maxim, as exposições foram certificadas pelo serviço secreto russo. “Oficiais do FSB o proibiram de dar palestras em inglês”, disse ele a um site de notícias locais.
O cientista era chefe do laboratório de tecnologias ópticas quânticas e autor de 112 artigos científicos e três patentes —ele também trabalhava em parceria com institutos da Alemanha e da França. Não há detalhes de quais informações teriam sido compartilhadas com os chineses.
Diversos cientistas russos foram presos e acusados de traição nos últimos anos por supostamente repassarem material sensível a estrangeiros.
Reuters





