A pressão internacional sobre a Rússia para o fim da guerra na Ucrânia aumentou nesta terça-feira, 15/11, com a posição da China e da Índia na cúpula do G-20, no mesmo momento que militares russos voltaram a bombardear diversas cidades ucranianas, incluindo Kiev. O bloco escreveu uma carta conjunta, que ainda precisa ser aprovada pelos líderes, em que repudia o uso ou ameaça de armas nucleares e aponta as consequências de conflito em questões como segurança alimentar.
Apesar das discordâncias internacionais em torno da guerra, as delegações do G-20, incluindo a Rússia, concordaram em publicar um comunicado final. O rascunho da carta reconhece as opiniões divergentes entre os países, destaca o “imenso sofrimento” causado pela guerra, que se arrasta há quase nove meses, e observa que a maioria dos países-membros condenam firmemente o conflito.
As delegações, que se reúnem em Bali, na Indonésia, incluíram no rascunho um apelo à renovação do pacto entre Moscou e Kiev para permitir a exportação de cereais ucranianos, com data para expirar em 19 de novembro. O pacto foi firmado em julho e permitiu a retirada de 20 milhões de toneladas de grãos que estavam bloqueados na Ucrânia pelo conflito. O bloqueio causou uma disparada de preços alimentícios em todo o mundo, incluindo em países do G-20, como a Turquia e a Argentina.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia e representante do país na cúpula, Serguei Lavrov, ouviu críticas da maioria dos chefes de Estado e assistiu as declarações do presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, que disse que este é o momento para o fim da guerra. O chanceler russo classificou as condições da Ucrânia para negociação como inadmissíveis e acusou haver uma guerra híbrida do Ocidente contra os russos.
As críticas contra a guerra também partiram de países próximos a Moscou, mas sem citações diretas à Rússia ou ao presidente russo Vladimir Putin, ausente no evento. Embora tenha criticado as sanções ocidentais contra a Rússia, o presidente da China, Xi Jinping, declarou oposição à politização e ao uso de alimentos e de energia como arma de guerra. “Nós nos opomos firmemente contra a politização, a instrumentalização e a transformação da energia e dos alimentos como arma de guerra”, declarou Xi.
Estadão





