A China celebra nesta sexta (1º/7) os 25 anos da retomada do controle sobre Hong Kong. Mais significativamente, comemora os 2 anos em que impôs sua versão sobre como deve ser o território que recebeu de volta dos britânicos após um século e meio de dominação colonial.
O faz em grande estilo, com a primeira viagem do líder Xi Jinping fora da área continental da ditadura comunista desde o início da pandemia de Covid-19, em 2020. Logo depois de chegar à estação de trem de alta velocidade vindo da vizinha Shenzhen, Xi falou rapidamente e deu o tom.
“Depois das tormentas, Hong Kong renasceu das cinzas e emergiu com uma vigorosa vitalidade. Os fatos demonstram que o princípio de ‘um país, dois sistemas’ está cheio de vitalidade”, afirmou o líder.
É um resumo racional para uns, cínico para outros, do que aconteceu desde a última vez que Xi esteve por lá, em 2017. As ditas “tormentas”, a convulsão política de 2019, quando milhares foram às ruas em protestos que terminaram em violência por garantias democráticas, mudaram para sempre Hong Kong.
“Eu sinto falta da minha terra, e espero voltar um dia. Mas não é possível negociar com Pequim porque este é um regime totalitário que não pode dar nenhuma liberdade para as pessoas”, afirmou por mensagem Stanley Ho, 37. “Mais importante, o regime ainda tem ódio pelo que ocorreu em 2019.”
Ho era um conselheiro local de um partido moderado, eleito no pivotal pleito de novembro de 2019 que selou a morte dos movimentos pró-democracia no território, que haviam tido uma vitória expressiva e sinalizado uma via de resistência dentro do sistema. Ele, que havia sofrido um brutal ataque de nacionalistas chineses naquele ano, dizia à Folha à época acreditar que aos poucos Hong Kong ganharia outra feição.
Em 1984, o acerto entre britânicos e chineses previa que o território seria devolvido em 1997. A partir daí, 50 anos se passariam sob “um país” (a China) e “dois sistemas” (comunista no continente, capitalista liberal no território).
Folhapress





