Após discursar em tom eleitoral para apoiadores em Londres, o presidente Jair Bolsonaro (PL), seguindo o rito de outros chefes de Estado, visitou o caixão da rainha Elizabeth 2ª neste domingo (18/9) e assinou o livro de condolências da soberana.
Nas ocasiões, Bolsonaro esteve acompanhado da primeira-dama Michelle, transformada em peça-chave de sua campanha na corrida pela reeleição. Na visita ao caixão, também esteve ao lado do pastor Silas Malafaia, aliado que integra a comitiva do presidente.
Mais cedo, Bolsonaro, falando da casa do embaixador do Brasil em Londres, discursou a apoiadores que vivem na capital britânica. Disse, entre outras coisas, que ganhará a eleição ainda no primeiro turno, ainda que pesquisas de intenção de voto desenhem um cenário de dificuldade para ele, que perde para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O presidente ainda participará de uma recepção real no Palácio de Buckingham, quando se espera que encontre com o rei Charles 3º, e é incerto de conseguirá reuniões bilaterais com outros líderes que foram a Londres para o funeral da rainha, morta no último dia 8.
O tom eleitoral do presidente desagradou inclusive ex-aliados. A deputada Joice Hasselmann, em uma rede social, escreveu que Bolsonaro “transformou o funeral da rainha em um palanque”. “Vergonha absoluta para o Brasil”, disse ela.
A postura foi destacada também na imprensa britânica. O jornal The Guardian, referindo-se ao presidente como “populista sul-americano”, lembrou que Bolsonaro expressou “profundo respeito” pela família real e pelos cidadãos britânicos neste momento de luto, mas logo mudou o discurso para a agenda de campanha.
A deputada Gleisi Hoffmann, presidente do PT, em linha semelhante, também teceu críticas. “[Bolsonaro] faz campanha eleitoral numa viagem oficial, custeada com recursos públicos”, escreveu no Twitter. “Viajam com o presidente pessoas que não são agentes públicos, mas cabos eleitorais dele; um abuso de poder político e econômico.”
Folhapress





