17/09/2026

Bancos brasileiros fecham acordos na China para facilitar transações sem uso do dólar.

Entre os acordos privados que acontecem na visita de empresários e da comitiva brasileira à China, o Banco Bocom BBM anunciou a adesão ao China Interbank Payment System (Cips). O Cips é a alternativa chinesa ao Swift, ambos sistemas de compensação financeira que facilitam transações em moedas locais entre os países.

E a sucursal brasileira do Industrial and Commercial Bank of China (ICBC), o maior banco do mundo, passa a atuar como banco de compensação do renminbi no Brasil, ou “clearing house”. As informações sobre os acordos foram divulgadas pelo Conselho Empresarial Brasil China, que está organizando os eventos entre empresários no país asiático.

O Bocom BBM será o primeiro a participar do Cips dentro da América do Sul. O banco é resultado da compra do BBM – antigo banco da Bahia, um dos mais antigos do país, fundado em 1858 – pelo Bank of Communication, um dos cinco maiores bancos comerciais da China. Hoje, o Bocom BBM é o maior banco chinês no Brasil.

As reduções das restrições ao uso do renminbi têm o potencial de promover o comércio bilateral e facilitar investimentos com a moeda chinesa. A China já é o principal parceiro comercial do Brasil, destino de 27% de tudo o que foi exportado pelo país em 2022. A corrente de comércio entre os países somou US$ 150 bilhões no ano passado. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar no ranking de exportações, com 11% e uma corrente de US$ 88 bilhões.

Em fevereiro, o Banco do Povo da China, o banco central chinês, anunciou a assinatura de um memorando de entendimento (MOU) com o Banco Central brasileiro para a realização de acordos que viabilizem o pagamento do comércio entre os países na moeda chinesa, o renminbi.

A adesão do Bocom BBM ao CIPS e a definição do ICBC como clearing house estavam entre os próximos passos previstos, após o memorando assinado entre os bancos centrais, explica Karin Costa Vazquez, pesquisadora da Universidade de Fudan de Shangai e membro sênior do Center for China and Globalization.

Os acordos também se inserem em uma discussão geopolítica importante sobre pagamentos em moedas locais e desdolarização.

Com as facilidades de pagamento em renminbi, Brasil e China avançam em relação à desdolarização, a redução da dependência do comércio global da moeda americana.

O assunto tem sido amplamente discutido em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia e às investidas dos russos para realizar mais transações com chineses em moedas locais. O objetivo dos chineses e russos é tentar reduzir a participação do dólar como principal moeda de troca do mundo e, assim, hegemonia dos Estados Unidos.
CNN Brasil

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