17/09/2026

Aliados não se acertam, e Ucrânia segue sem tanques alemães contra a Rússia.

Os países que apoiam o esforço de guerra da Ucrânia contra a invasão russa, liderados pela Otan, a aliança militar do Ocidente, não chegaram a uma conclusão sobre o envio de tanques para Kiev em uma muito antecipada reunião ocorrida na Alemanha nesta sexta-feira (20/1).

O balde de água fria veio do novo ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, o dono da chave que pode abrir a porta para o fornecimento do modelo desse tipo de blindado mais usado na Europa, o Leopard-2. Tecnicamente, operadores do tanque germânico têm de pedir permissão a Berlim para exportá-los.

“Há bons motivos a favor e contra as entregas, e tendo em vista a situação global de uma guerra que já dura quase um ano, todos os prós e contras têm de ser pesados cuidadosamente”, afirmou Pistorius, para horror de outros ministros reunidos na principal base americana na Alemanha, em Ramstein.

Pistorius disse que defesa antiáerea, como as baterias Patriot que Berlim, Washington e Amsterdã se comprometeram a enviar, é a prioridade do momento. Tudo indica que os alemães seguem evitando provocar os russos, por temer uma escalada no conflito que possa levar a uma Terceira Guerra Mundial —a dependência energética, motivo da cautela anterior, já foi praticamente cortada.

Participaram autoridades dos 30 países da Otan, dos dois candidatos a entrar na aliança, Finlândia e Suécia, e de outras nações aliadas. Antes, ministros fizeram pedidos explícitos para que Berlim cedesse.

Eles ouviram, por vídeo, o líder ucraniano, Volodimir Zelenski, implorar. “A guerra não permite atrasos. Posso agradecer centenas de vezes, mas centenas de obrigados não são centenas de tanques. O tempo precisa ser nossa arma comum.” Presente, seu ministro da Defesa, Oleksii Reznikov, repetiu o apelo.

Já o secretário-geral da Otan, o norueguês Jens Stoltenberg, dourou a pílula. “Temos de lembrar não só de focar novas plataformas, mas assegurar que todas as que já estão lá sigam funcionando”, disse à Reuters.

Ao longo da guerra, o temor de escalada e as limitações de arsenais próprios têm ditado o tamanho do apoio a Kiev, que já cresceu muito. Aviões de caça, por exemplo, são tabu ainda maior do que os tanques —a Otan vetou a transferência de MiG-29 poloneses, por exemplo. A montanha em Ramstein, contudo, não chegou a parir apenas o rato da frustração de Kiev. Onze países apresentaram sua colaboração para um novo megapacote de ajuda militar, com armamentos que poderão fazer a diferença no campo de batalha.
Folhapress

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