17/09/2026

Zelenski fala em ‘ataque preventivo’ da Otan, e Moscou o acusa de incitar guerra nuclear.

Uma fala do presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, em que ele sugeriu que a Otan “atacasse preventivamente” a Rússia atraiu críticas do Kremlin e obrigou o próprio governo ucraniano a prestar esclarecimentos nesta sexta (7/10).

Em um discurso ao think thank australiano Lowy realizado na véspera por videoconferência, Zelenski afirmou que a organização militar liderada pelos Estados Unidos deveria atacar o território russo para que eles “saibam o que acontecerá com eles se usarem” armas nucleares.

O líder ucraniano se referia a uma advertência feita por Vladimir Putin há menos de 20 dias, ao anunciar a anexação de quatro regiões ucranianas ocupadas. Na ocasião, o presidente russo disse que usaria todos os meios à sua disposição para proteger as áreas, incluindo bombas atômicas, e concluiu afirmando que aquilo não era um blefe.

A fala mais recente de Zelenski foi encarada como uma ameaça aberta de guerra nuclear por alguns dos principais porta-vozes do governo russo, segundo reportaram agências de notícias locais.

Ministro das Relações Exteriores do país, Serguei Lavrov afirmou que Zelenski “essencialmente apresentou ao mundo mais evidências das intimidações do regime de Kiev” e que sua fala justificaria a “operação militar especial” na Ucrânia —é assim que os russos se referem à invasão do país vizinho.

Porta-voz da mesma pasta, Maria Zakharova chamou o líder ucraniano de uma “marionete inflada por armamentos”, “um monstro cujas mãos podem destruir o planeta”. Dmitri Peskov, representante do Kremlin, também condenou o apelo de Zelenski e afirmou que ele buscava “iniciar mais uma guerra mundial, com consequências imprevisíveis, monstruosas”. Ambos acusaram o Ocidente de estarem por trás da intensificação do conflito, os EUA e o Reino Unido em especial.

O governo ucraniano, por sua vez, buscou minimizar a fala. O porta-voz do presidente afirmou que ele se referia às sanções preventivas impostas pelos países ocidentais antes da Guerra da Ucrânia, e assegurou que a Ucrânia jamais defenderia o uso de armas nucleares.
Reuters

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