O líder da China, Xi Jinping, chegou nesta segunda (20/3) a Moscou para reafirmar sua aliança com a Rússia de Vladimir Putin, o presidente que foi indiciado por crime de guerra na Ucrânia pelo TPI (Tribunal Penal Internacional) há três dias.
O russo o recebeu no Kremlin para um jantar informal, e no início do encontro, televisionado, voltou a dizer que está “aberto para discutir a proposta” de paz feita por Pequim para solucionar a guerra que começou há mais de um ano. Ambos se trataram como “queridos amigos”.
O chinês, por sua vez, afirmou que há “lógica histórica” na aliança com Moscou. “China e Rússia são bons vizinhos e parceiros confiáveis”, havia dito antes à agência russa Tass. A visita, disse, permitirá “um novo ímpeto ao desenvolvimento” da aliança entre os países.
É sua primeira visita à Rússia, aliada de Pequim na Guerra Fria 2.0 contra os EUA e seus parceiros ocidentais, em quatro anos. Em 2022, eles se reuniram presencialmente duas vezes.
Na primeira, 20 dias antes da invasão da Ucrânia, em fevereiro do ano passado, selaram um acordo de “amizade sem limites” que se expandiu ao longo do ano na forma de um aumento de 48% das importações chinesas de produtos russos ante 2021, a maior parte em petróleo e gás, ajudando a manter a economia do aliado viva sob as sanções ocidentais devido à guerra.
Depois, em setembro do ano passado, eles se encontraram em uma cúpula de países centro-asiáticos. Ali, os relatos iniciais eram de que Xi não estava satisfeito com a continuidade da guerra na Ucrânia, mas na prática o que se viu foi o anúncio de um incremento ainda maior na cooperação militar entre os países, que fazem regularmente patrulhas conjuntas no Pacífico.
O fato é que a China está dobrando sua aposta com Putin, com Xi até fazendo referência às eleições presidenciais russas de 2024 no trecho aberto de seu encontro desta segunda. Por meio de intérprete, disse estar certo de que o russo “tem grande apoio” popular para a disputa —o presidente promoveu mudança constitucional em 2020 que lhe permitirá tentar ficar no Kremlin até 2036, quando terá 83 anos.
Politicamente, a visita de Xi é uma vitória para Putin, amplificada pela casualidade do indiciamento penal. O Ocidente passou 2022 pressionando Pequim a deixar o russo isolado, e admoestando Xi a não querer repetir na ilha autônoma de Taiwan o modus operandi do Kremlin na Ucrânia.
O encontro ocorre em meio a grande crispação internacional: os EUA acabam de fechar acordo para fornecer submarinos nucleares para a Austrália em um pacto anti-China com o Reino Unido e os russos derrubaram um drone americano no mar Negro, restando saber se foi de propósito.
Não há a expectativa, contudo, de algo bombástico, como o fornecimento público de armas chinesas para os russos, como especulam os americanos.
Folhapress





