O peso do consumo chinês no mercado da carne bovina brasileira fica mais evidente quando se verifica o impacto diário da paralisação no embarque desses produtos para o gigante asiático. As estimativas apontam que o Brasil deve deixar de faturar cerca de US$ 17 milhões por dia com o fechamento temporário do comércio desse produto, por causa do caso confirmado de mal da vaca louca em um animal no Pará.
As estimativas da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) indicam para um mercado que movimenta cerca de US$ 500 milhões por mês. Porém, para José Augusto de Castro, presidente da AEB, apesar do impacto financeiro imediato, a tendência é de que as exportações logo sejam repostas, sem prejuízo ao produtor brasileiro, dado o tamanho da demanda chinesa.
“Não acredito que vamos perder mercado. O que deve ocorrer, apenas, é adiamento de embarques da produção, ou a transferência de carne para outros países, até que tudo se normalize”, disse o especialista.
Castro viu como positiva a atuação rápida do governo em se posicionar sobre o caso de mal da vaca louca identificado em uma pequena fazenda em Marabá, no Pará. “O Brasil seguiu todos os protocolos, se adiantou. Acreditamos que deva resolver rapidamente a situação, em cerca de 30 dias, por ser um caso atípico, e não uma contaminação clássica”, comentou.
O especialista também afasta a possibilidade de os Estados Unidos, que são o segundo maior comprador da carne brasileira, adotarem medida de suspensão como a da China. “Acho muito difícil os Estados Unidos aderirem a isso. Mais do que nossos compradores, eles são nossos grandes concorrentes no mercado de carnes da China. Qualquer atitude desse tipo seria vista como eventual retaliação ao Brasil”, comentou.
Estadão





