18/09/2026

Ucrânia corta gás russo para a Europa pela primeira vez na guerra.

A Ucrânia restringiu pela primeira vez desde que foi invadida pela Rússia, há 77 dias, o fluxo de gás natural que o país de Vladimir Putin vende para a Europa e passa por dutos em seu território.

A medida pegou de surpresa analistas ocidentais, que buscam amplificar ao máximo notícias que pareçam favoráveis ao governo de Kiev em sua luta contra os russos, como uma ofensiva no nordeste do país que recapturou algumas vilas nesta quarta (11/5).

O corte tem dois significados básicos: primeiro, que o presidente Volodimir Zelenski quer pressionar ainda mais os membros da UE (União Europeia) reticentes a suspender a compra de gás e petróleo russos, que respondem por cerca de 40% das demandas energéticas do bloco.

Com a medida, houve uma queda de 25% do envio de gás para a Europa, o que fez o preço do produto flutuar um pouco. Mas terá impactos mais severos se continuar —as outras rotas de hidrocarbonetos passam pela Belarus e sob o mar Báltico, pelo gasoduto Nord Stream 1, que liga a Rússia à Alemanha.

O segundo ramal do Nord Stream, inaugurado no ano passado, nunca foi usado devido às tensões crescentes entre Rússia e Ucrânia e, depois, à guerra. Ele é considerado o maior erro estratégico dos anos de Angela Merkel no poder na Alemanha, por amarrar o futuro energético da maior economia europeia a um aliado inconfiável.

Moscou diz tratar do assunto profissionalmente, e que vai manter sua venda de hidrocarbonetos em contrato, tendo apenas obrigado os países a pagar em rublo para valorizar sua moeda na crise —só que já cortou o fluxo para Polônia e Bulgária, adversárias que se recusaram a fazer isso. As sanções duras a que os russos foram submetidos não impedem que cerca de € 1 bilhão (R$ 5,4 bilhões) sejam pagos diariamente ao Kremlin em troca dos produtos pelos europeus.

Zelenski já disse mais de uma vez que o Ocidente precisa parar de bancar o esforço de guerra russo de forma indireta, enquanto recebeu a promessa de US$ 40 bilhões (R$ 200 bilhões) em ajuda militar e econômica só dos Estados Unidos.
Folhapress

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