O Exército da Ucrânia sofreu de 10 mil a 13 mil baixas desde o começo da guerra contra a Rússia, que se prolonga há nove meses e não tem perspectiva para acabar, admitiu nesta quinta-feira (1º/12) o governo do país invadido. Trata-se da primeira estimativa divulgada por Kiev desde agosto —à época, o número de soldados mortos era de aproximadamente 9 mil.
As informações não puderam ser verificadas de maneira independente e é razoável supor que os números reais possam ser maiores. Na guerra de versões que caracteriza o conflito, o balanço divulgado nesta quinta-feira diverge, por exemplo, do apresentado por autoridades americanas. O chefe do Estado-Maior das forças armadas dos EUA, general Mark Milley, disse no mês passado que mais de 100 mil soldados russos tinham sido mortos, e que era semelhante a quantidade de militares ucranianos que perderam a vida.
Oleksii Arestovich, conselheiro do presidente Volodimir Zelenski, contesta a informação. Na quarta (30), ele ecoou o discurso de lideranças ucranianas ao afirmar que o desempenho militar do país é superior. Depois, estimou que o número de mortes russas é cerca de sete vezes maior.
As declarações acontecem em um momento em que há poucos avanços no front de lado a lado. Com a mobilização de 300 mil reservistas, a Rússia conseguiu estancar ao menos parte da retomada de territórios pelas forças rivais. O movimento significativo de tropas mais recente aconteceu na primeira quinzena do mês passado, quando o Kremlin anunciou a retirada de Kherson, a maior cidade que havia sido conquistada por Moscou.
Estimativas de baixa civis não foram divulgadas. Nos últimos dias, porém, com o inverno no hemisfério Norte mais próximo e as temperaturas cada vez mais baixas, a preocupação quanto a um aumento no número de mortes de inocentes aumentou. Kiev estima que metade da infraestrutura do país no setor foi destruída, o que deixou milhões sem eletricidade e aquecimento.
Folhapress





