À medida que cresce o número de mortes provocadas pelo terremoto de magnitude 7,8 na Turquia, atualizado para 8.754 nesta quarta-feira (8/2), aumenta também a insatisfação da população frente a reação do governo ao desastre —que já totaliza mais de 11.250 óbitos quando entram na conta as 2.500 mortes registradas na vizinha Síria.
O sismo atingiu uma zona remota e pouco desenvolvida do território, o que agravou o desafio das equipes de emergência. Os impactos dos tremores nas rodovias, e as condições meteorológicas desfavoráveis, de frio, neve e chuva, também dificultaram a atuação dos bombeiros nas escavações, trazendo pessimismo às perspectivas de encontrar sobreviventes sob os destroços.
A situação de calamidade fez o presidente, Recep Tayyip Erdogan, decretar estado de emergência em dez províncias. Sobreviventes nas regiões mais atingidas reclamam, porém, de jamais terem visto sinais de equipes de socorristas, além de passarem frio e fome.
“Onde estão as tendas, os food trucks?”, questionou Melek, 64, em Antakya, no sul do país, à agência de notícias Reuters. “Não vimos nenhuma distribuição de comida aqui, ao contrário do que houve em desastres locais anteriores. Sobrevivemos ao terremoto, mas vamos morrer de fome ou de frio aqui”, afirmou.
Relatos de pessoas que se viram obrigadas a escavar os destroços em busca de familiares soterrados com as próprias mãos, sem equipamentos adequados ou mesmo roupas para o frio, também se multiplicaram nos primeiros dias após o desastre.
A situação relatada por parte da população foi ecoada por Ugur Poyraz, secretário-geral do partido de oposição IYI, na véspera. “A ajuda definitivamente não está sendo coordenada de modo profissional”, ele afirmou à Reuters. “Cidadãos e equipes locais estão se unindo às operações de resgate por conta própria para salvar as pessoas nos escombros”.
As autoridades afirmam que mais de 12 mil socorristas atuam na busca e resgate de vítimas, e que outras 9.000 tropas foram mobilizadas. Segundo o New York Times, mais de 8.000 pessoas foram socorridas —quase o mesmo número de mortes registradas até agora.
Folhapress





