
O ex-presidente Donald Trump voltou a Washington nesta quinta (3/8), mas não como gostaria. Ele se apresentou à Justiça às 16h25 para ser acusado formalmente por atentar contra pilares da democracia.
Na audiência, que durou cerca de meia hora, ele se declarou não culpado pelos quatro crimes de que é acusado, uma lista que inclui de conspiração para defraudar os Estados Unidos à obstrução de procedimento formal, segundo documento divulgado pelo conselheiro especial do Departamento de Justiça Jack Smith na última terça.
Ele foi liberado sob algumas condições, como não se comunicar com nenhuma das testemunhas do caso, a não ser via advogados, e não violar nenhuma lei. Smith, a quem Trump vem atacando continuamente, acusando-o de perseguição política, também estava presente na sala.
A pena máxima prevista para os crimes varia de 5 a 20 anos, a depender da acusação. O tempo total de prisão, porém, vai depender da sentença e por quais acusações ele for condenado, caso seja.
Depois da audiência, ao embarcar de volta para Nova Jersey, o ex-presidente afirmou a jornalistas que aquele era “um dia muito triste para o seu país. “Esta é uma perseguição política. Isso não deveria poder acontecer nos EUA.”
Ele também aproveitou para criticar o presente Joe Biden, reclamando do estado das ruas da capital americana.
“Foi também um dia muito triste passando de carro por Washington (DC) e vendo a sujeira e a decadência e todos os edifícios quebrados e paredes e o graffiti. Esse não é o lugar que eu deixei”, afirmou.
A primeira audiência com a juíza responsável pelo caso, Tanya S. Chutkan, foi marcada para 28 de agosto. Ela já afirmou que pode dispensá-lo de comparecer pessoalmente a essa etapa. A data do julgamento ainda não foi definida. Acusação e defesa devem apresentar suas propostas nos próximos dias.
As acusações feitas esta semana se somam àquelas de outros dois processos criminais: um na Justiça de Nova York, envolvendo a compra do silêncio de uma atriz pornô na campanha de 2016, e outro, na Justiça Federal, relacionada à posse ilegal de documentos secretos da Casa Branca após Trump ter deixado a Presidência.
Assim, trata-se da terceira vez que o republicano comparece perante um juiz neste ano. A audiência desta quinta, chamada em inglês de “arraignment”, equivale à audiência de instrução no Brasil, etapa inicial de um processo criminal, em que o réu ouve as acusações e é questionado se declara-se culpado ou não.
Folhapress





