O TikTok afirma ter derrubado 10.442 vídeos que incitaram violência, terrorismo e desinformação durante os ataques bolsonaristas de 8 de janeiro e nos dias posteriores. É a única empresa, até agora, que divulgou dados internos sobre os ataques.
Em documento entregue ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o aplicativo disse que removeu 1.304 vídeos que violaram sua política de extremismo violento (que engloba incitação à violência e terrorismo), 5.519 que feriram a diretriz de “desinformação com riscos de danos no mundo real” e 3.614 conteúdos que infringiram as regras sobre desinformação eleitoral. O período contabilizado foi de 8 a 15 de janeiro.
Segundo o TikTok, apenas 5 URLs foram removidas a partir de demandas do STF (Supremo Tribunal Federal) no período.
Autoridades não solicitaram dados sobre 8 de janeiro, mas a circunstância levou o governo a acelerar discussões sobre a regulação de plataformas no Brasil. Uma proposta de medida provisória para conter a circulação de conteúdos democráticos chegou a ser elaborada no Ministério da Justiça. Ela deve avançar agora sob outro formato.
Relatório recente de pesquisadores da área apontou que aplicativos de vídeos curtos, tais como TikTok e Kwai, ajudaram a agravar a desinformação na eleição de 2022, em parte devido à escala de viralização desses conteúdos. Procurado, o Kwai diz que “não poderá abrir esses números”.
“Todas as ações e iniciativas desenvolvidas pela plataforma para conter o avanço e propagação de conteúdos que tenham o potencial de prejudicar o processo democrático permanecem em andamento”, afirmou em nota.
A Meta (dona de Facebook e Instagram) e o YouTube não divulgaram dados sobre 8 de janeiro, apenas sobre o processo eleitoral. O Telegram e o Twitter não se manifestaram.
De modo geral, ataques à democracia não integram políticas específicas nas plataformas, mas ficam sob o guarda-chuva de outras regras, como as que proíbem discurso de ódio, incitação à violência, terrorismo ou regras para eleições.
No TikTok, os conteúdos associados a 8 de janeiro infringiram normas contra o extremismo violento, por exemplo, que proíbe declarações ou imagens que incentivam pessoas a cometer ou apoiar violência e convocações para levar armas a um local para intimidação ou ameaça.
Medidas de transparência e mais prestação de contas das empresas estão entre as principais demandas de autoridades que acompanham a atuação das big techs.
Folhapress





