Em protesto pela visita da presidente da Câmara dos EUA a Taiwan, a China realizou o seu segundo dia consecutivo de exercícios militares de cerco à ilha. Enquanto, na véspera, mísseis balísticos sobrevoaram o território autogovernado pela primeira vez, nesta sexta-feira (5/8) as Forças Armadas chinesas executaram manobras conjuntas, combinando caças e navios de guerra.
Nas primeiras horas da manhã, “vários grupos de aeronaves e navios de combate realizaram exercícios ao redor do Estreito de Taiwan e cruzaram a linha média do estreito”, disse o Ministério da Defesa de Taiwan em comunicado. “Este exercício militar chinês, seja lançando mísseis balísticos ou cruzando a linha média do estreito, é um ato altamente provocativo”, acrescentou.
O ministério taiwanês disse ter contabilizado 68 aeronaves militares e 13 navios de guerra chineses realizando atividades frequentes no Estreito de Taiwan — que separa a ilha do continente e tem 180 quilômetros em sua extensão máxima — e seu entorno. Segundo o órgão, alguns equipamentos, mas não todos, cruzaram a linha central do estreito e “prejudicaram seriamente a situação atual”.
O comunicado das autoridades em Taipé também diz que a situação está sob monitoramento, e o “Exército Nacional tomará medidas resolutas para salvaguardar a segurança nacional e garantir a democracia”.
Já era esperado que, após o lançamento de mísseis, a China buscasse efetuar exercícios combinando diferentes armas. Estas manobras são consideradas menos chamativas, porém mais complexas. Elas buscam testar a capacidade de impor um bloqueio sobre Taiwan.
Também nesta sexta, um porta-voz do Exército de Libertação do Povo (ELP) disse que a China realizou “rastreamento e vigilância” da aeronave de transporte C-40 da Força Aérea dos EUA que transportou Pelosi para Taiwan de Kuala Lumpur, na Malásia.
Segundo ele, foi isso que forçou o piloto a desviar sua rota para o Leste das Filipinas, em vez de atravessar o Mar do Sul da China.
— Nossas tropas destacadas em vários locais se tornaram um impedimento para [o avião]— disse o major-general Meng Xiangqing, professor da Universidade de Defesa Nacional, a principal academia do ELP.
Meng não detalhou quais medidas o ELP tomou para o “rastreamento e vigilância”. Ele também disse que o anúncio do ELP de exercícios na costa leste de Taiwan obrigou o grupo de ataque do porta-aviões americano USS Ronald Reagan, que estava perto da área para proteger Pelosi, a navegar para centenas de quilômetros a leste da ilha.
O Globo





