17/09/2026

Rússia retoma grandes ataques na Ucrânia após cessar-fogo marcado por suspeitas.

Após relatos de que desobedeceu à própria declaração de cessar-fogo, a Rússia encerrou oficialmente sua trégua unilateral neste domingo (8/1) e voltou a bombardear massivamente a Ucrânia. A maior parte dos ataques ocorreu na província de Donetsk —que compõe, junto com Lugansk, o Donbass, leste russófono ucraniano.

O Ministério da Defesa russo afirmou ter matado mais de 600 soldados do Exército inimigo ao bombardear dois dormitórios universitários que serviam de residência temporária para as tropas em Kramatorsk, capital administrativa de Donetsk. A ofensiva seria uma vingança contra um ataque na véspera do Ano-Novo que matou 89 reservistas russos em Makiivka, na mesma região.

Testemunhas afirmam, porém, que os mísseis parecem não ter atingido os edifícios em questão, e sim locais próximos, onde surgiram grandes crateras. Embora um dos prédios tivesse algumas janelas quebradas, o outro estava intacto. Além disso, não havia indícios claros de mortes nos locais, como corpos ou rastros de sangue —ou mesmo sinais de que havia soldados vivendo neles.

Kiev por enquanto não se pronunciou sobre o caso. Antes, no entanto, o prefeito de Kramatorsk havia afirmado que uma sério de bombardeios durante a madrugada não tinham levado a nenhum óbito. As duas mortes registradas pelas Forças Armadas ucranianas no período ocorreram em outras localidades: Soledar, também em Donetsk, e Kharkiv, localizada a 450 km da capital.

Ainda houve explosões na cidade de Zaporíjia, capital da região homônima, no sul, e nas ruas praticamente desertas de Bakhmut, no limite de Donetsk. A cidade, que segundo o fundador do grupo Wagner —empresa militar privada russa que muitos descrevem como mercenarismo— é cobiçada por possuir vias subterrâneas que poderiam armazenar tropas e tanques, foi alvo de bombardeios ao longo de todo o sábado (7), quando o cessar-fogo anunciado pelo Kremlin deveria estar em vigor.

A trégua visava celebrar o Natal da Igreja Ortodoxa, comemorado na data de acordo com o antigo calendário juliano. A sugestão teria vindo de um dos mais influentes aliados de Vladimir Putin, o patriarca da igreja na Rússia, Cirilo. Mas foi recebida com ceticismo tanto na Ucrânia quanto nas principais potências do Ocidente. Enquanto o presidente do país invadido, Volodimir Zelenski, classificou-a de um diversionismo militar e se recusou a aderir a ela, autoridades ocidentais chamaram a proposta de hipócrita.

Kiev segue uma denominação ortodoxa própria, nascida de um cisma temperado pela disputa com Moscou em 2019. Este ano, ela permitiu que o Natal fosse comemorado no dia 25 de dezembro. Mesmo assim, parte da população respeitou a tradição original, comparecendo a igrejas e catedrais em massa no sábado.

Também neste fim de semana, a Ucrânia bombardeou duas termoelétricas em em cidades ocupadas pela Rússia em seu próprio território: Zuhres, também no Donetsk, e Novii Svit, na Crimeia. Segundo informações da agência de notícias russa Tass, a investida em Novii Svit resultou na morte de uma mulher.
Reuters

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