A Rússia recuou, nesta quarta-feira (2/11), e anunciou que manterá o acordo com a Ucrânia que permite a exportação de grãos e de fertilizantes do país do leste europeu pelo Mar Negro. O tratado, mediado pela ONU e Turquia, havia sido suspenso pelo Kremlin há quatro dias, após Kiev atacar a frota russa na região com suposta ajuda de Londres.
A reviravolta ocorreu, mais uma vez, sob a mediação do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, figura que na teoria apoia Kiev no conflito, mas que na prática tem laços fortes com Moscou. Na terça (1), o líder turco deu garantias a Vladimir Putin de que a Ucrânia não usará o corredor onde os navios trafegam ou os portos ucranianos para atacar bases da Rússia na região.
Ancara, aliás, é um dos principais destinos dos grãos exportados –o que, de certa forma, justifica o interesse de Erdogan nas negociações.
O cerne do imbróglio está numa operação de Kiev contra a base russa da Frota do Mar Negro, em Sebastopol, no último sábado (29). Na ocasião, os ucranianos danificaram um caça-minas e uma rede de contenção na baía de Iujnaia por meio de drones aéreos e submarinos. O ataque foi o mais audacioso desde a explosão que atingiu a ponte da Crimeia em outubro. Isso porque a frota, apesar de estar em baixa, é simbólica para os russos, tendo sido estabelecida em 1783.
A operação chamou ainda mais a atenção do Kremlin por, segundo os russos, ter contado com a ajuda do Reino Unido. Trata-se da primeira vez que Moscou acusa um país membro da Otan de participar de forma ativa de um ataque contra sua infraestrutura.
Até por isso, a Rússia anunciou nesta quarta que convocará a embaixadora britânica em Moscou para tratar do assunto —no dia do ataque, Londres negou as acusações. O Reino Unido, junto com a Polônia e os países bálticos, faz parte do grupo de países que mais pressiona a Europa a adotar sanções contra a Rússia.
Reuters





