O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou o primeiro cessar-fogo desde que suas forças invadiram a Ucrânia, em fevereiro de 2022, e sugeriu o mesmo a Kiev —que rejeitou a proposta, considerada hipócrita.
Segundo o Kremlin, os ataques ao longo das frentes de batalha serão suspensos por 36 horas, a partir do meio-dia (6h em Brasília) desta sexta (6/1), visando facilitar a celebração do Natal ortodoxo, no sábado (7).
Putin afirma ter seguido orientação do patriarca da Igreja Ortodoxa russa, Cirilo, seu aliado político que sofreu diversas críticas por apoiar a ação militar contra os ucranianos.
“A partir do fato de que um grande número de cidadãos de fé ortodoxa mora nas áreas das hostilidades, pedimos ao lado ucraniano para declarar um cessar-fogo e permitir a eles participar dos serviços na véspera e no dia do Natal”, disse Putin, de acordo com o comunicado.
Tanto Rússia quanto Ucrânia são países majoritariamente cristãos ortodoxos, embora Kiev tenha deixado de aceitar a autoridade de Cirilo em 2019, no maior cisma do cristianismo desde a reforma protestante do século 16. O Natal é celebrado em janeiro porque as denominações ortodoxas mantiveram o calendário juliano, que deixou de ser usado no Ocidente a partir de 1582 em favor do gregoriano.
O assessor presidencial da Ucrânia Mikhailo Podoliak afirmou no Twitter que a proposta de Cirilo era “uma armadilha cínica e elemento de propaganda”. Depois, ante o comunicado de Putin, escreveu: “A Federação Russa deve sair dos territórios ocupados, e só aí haverá trégua temporária. Guarde a hipocrisia para si”.
Mais tarde, o presidente Volodimir Zelenski afirmou que a trégua serviria para “parar nossos avanços no Donbass (leste do país)” e para que os russos tivessem tempo para trazer mais armamentos à região.
Folhapress





