Dois meses de ataques implacáveis de mísseis e drones pela Rússia dizimaram a infraestrutura da Ucrânia e abriram um buraco nas projeções para a economia do país, devastada pela guerra.
Antes desses ataques, Kiev esperava precisar de pelo menos US$ 55 bilhões em assistência externa no próximo ano para atender às despesas básicas – mais do que todos os gastos anuais do país antes da guerra.
Agora, com seus sistemas de energia severamente danificados e mais ataques russos a caminho, autoridades acreditam que a Ucrânia pode acabar precisando de mais US$ 2 bilhões por mês, e líderes políticos começaram a tentar preparar os apoiadores ocidentais para esses cenários.
“O que você faz quando não consegue aquecer sua casa, não consegue administrar suas lojas, fábricas e sua economia não está funcionando?” disse Oleg Ustenko, conselheiro econômico do presidente Volodmir Zelenski. “Vamos exigir mais assistência financeira, e Putin está fazendo isso para destruir a unidade entre os aliados.”
Em uma reunião a portas fechadas na semana passada no Banco Nacional da Ucrânia, que agora tem um posto de controle militar do lado de fora de sua sede, funcionários ponderaram o que pode acontecer se os ataques da Rússia se intensificarem. As pessoas podem fugir da Ucrânia em massa, levando seu dinheiro, potencialmente derrubando a moeda nacional enquanto tentam trocar sua hryvnia ucraniana por euros ou dólares.
O governo ucraniano pode ficar sem reservas internacionais para pagar importações críticas e incapaz de cumprir suas obrigações de dívida externa – um cenário apocalíptico conhecido como crise do balanço de pagamentos.
Um cenário terrível previu que a economia da Ucrânia poderia contrair outros 5% no próximo ano, além da contração de 33% neste ano. O primeiro-ministro ucraniano, Denis Shmihal, em uma conferência internacional de doadores em Paris na terça-feira, disse que a contração no próximo ano pode chegar a 9%, dependendo da gravidade dos contínuos ataques russos.
Washington Post





