17/09/2026

Rússia acusa Ucrânia por explosão em ponte na Crimeia; Putin fala em ato terrorista.

O Comitê de Investigação da Rússia, órgão que lida com crimes graves no país, afirmou neste domingo (9/10), em um relatório preliminar, que a explosão na ponte sobre o estreito de Kertch foi preparada pelo serviço secreto da Ucrânia. A estrutura liga o território russo à península da Crimeia, anexada em 2014.

O presidente Vladimir Putin classificou o caso como um ato terrorista. “Os autores, executores e patrocinadores [da ação] são os serviços secretos ucranianos”, disse o líder em reunião com Alexander Bastrikin, chefe do comitê, segundo citado por agências de notícias do país. “Não há dúvida. Trata-se de um ataque terrorista destinado a destruir estruturas civis criticamente importantes da Rússia.”

De acordo com informações da agência RIA, o líder do órgão de investigação anunciou que vai abrir um processo criminal com acusações de terrorismo. Segundo ele, os suspeitos envolvidos na preparação da explosão já foram identificados por agentes do FSB (Serviço Federal de Segurança, uma das agências sucessoras da KGB).

O caso ocorreu na manhã deste sábado (8) e foi considerado simbólico de momento de revés de Moscou na guerra —a estrutura é vista como uma rota crucial de abastecimento para as tropas de Putin no país invadido.

A explosão provocou um incêndio em um trem que transportava combustível e ao menos três pessoas, que estariam em um carro ao lado do veículo, morreram. No próprio sábado, Putin determinou a criação de uma comissão para apurar as causas e esclarecer a explosão, destacando o FSB para reforçar medidas de proteção na ponte e na estrutura de eletricidade e gás que abastece a península.

Neste domingo, mergulhadores avaliaram os danos no local, e o Ministério dos Transportes disse que trens de carga e de passageiros estavam funcionando normalmente. O tráfego rodoviário permanece limitado —ônibus e outros veículos pesados continuam sendo transportados em balsas.

Sem apontar culpado, o governador da Crimeia indicado por Moscou, Serguei Aksionov, definiu a situação como “administrável, desagradável, mas não fatal”, citando um “saudável desejo de vingança”.

A Rússia havia dito no sábado que o dono do caminhão fora identificado como um morador de Krasnodar, no sul do país, mas não culpara a Ucrânia com todas as letras —ainda assim, o caso desencadeou nova guerra de versões, seguindo o padrão do conflito.
Reuters e AFP

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