O Ministério da Defesa da Rússia acusou o Reino Unido de ajudar a Ucrânia a fazer o maior ataque contra a base da Frota do Mar Negro, na madrugada deste sábado (29/10), e de ter organizado as explosões que destruíram 3 dos 4 ramais do sistema de gasodutos Nord Stream.
Alegando ser alvo de terrorismo, Moscou disse que irá suspender o acordo de exportação de grãos ucranianos que usa o mar Negro como corredor para escoar os produtos, vitais para a sobrevivência econômica de Kiev. A sua frota assegurava a passagem dos navios civis, antes bloqueados em seus portos, segundo acordo mediado pela Turquia em julho.
É a primeira vez que Moscou acusa um país membro da Otan, a aliança militar do Ocidente, de participar de forma ativa de um ataque contra sua infraestrutura. Até aqui, as acusações diziam respeito ao envio maciço de armas dos EUA e da Europa para Kiev, além do compartilhamento de informações de inteligência.
Segundo o Ministério da Defesa em Londres, as acusações são “alegações falsas em uma escala épica”, que visam tirar foco de dificuldades militares dos russos na Ucrânia, invadida em fevereiro.
A ONU afirmou neste sábado que está em contato com autoridades russas após relatos de que Moscou iria suspender sua participação no acordo que retomou as exportações de grãos e fertilizantes.
As explosões no Nord Stream, cujos dois sistemas gêmeos correm mais de 1.200 km sob o mar Báltico, ligando a Rússia à Alemanha no projeto mais simbólico da dependência europeia do gás natural de Moscou, ocorreram há um mês.
Segundo disse na quinta (27) o presidente Vladimir Putin, em encontro com analistas internacionais perto de Moscou, elas foram obra de um governo contra a Rússia. Mas ele não deu nomes. O já reduzido envio de gás russo para a Europa se dá por um ramal na Ucrânia e o sistema turco, e é chave na pressão exercida pelo Kremlin para retaliar as sanções impostas pelo Ocidente à sua economia.
Anteriormente, a Otan havia apontado o dedo para os russos, advertindo Putin que não toleraria ataques à sua infraestrutura energética. É um ponto sensível, já que doutrinas de emprego de armas nucleares em ambos os lados preveem seu uso em caso de ameaças existenciais contra o Estado.
Folhapress





