17/09/2026

Rei Charles 3º completa um mês no trono com discrição e incertezas nos bastidores.

Os dias seguintes à morte da rainha Elizabeth 2ª, repletos de cerimônias em homenagem à soberana, foram para o novo rei Charles 3º de um misto de sobriedade, protocolos e, com franqueza, flagras um tanto desajeitados. Passado o luto oficial, neste sábado (8/10) Charles completa um mês no trono, e poucas notícias oficiais saíram do Palácio de Buckingham nas últimas semanas.

Divulgou-se o novo monograma real, as moedas de libra com a face do monarca e uma ou outra foto oficial. Em condição de anonimato, membros do estafe real disseram que trabalham para que a coroação aconteça em 3 de junho, um domingo daqui a oito meses. Em meio à discrição —que afinal marcou o reinado da mãe—, pouco ficou claro sobre os rumos que se vislumbram para a monarquia.

Pesquisas de opinião, que regularmente medem a popularidade da instituição e da família, mostram uma recuperação na aprovação de Charles, com uma alta de mais de 20 pontos percentuais, chegando a 70% —ainda abaixo da do filho e sucessor direto, o príncipe William, porém. De março a setembro também subiram o desejo de que o Reino Unido mantenha o sistema político e a impressão de que a monarquia é boa para o país.

A questão é o quanto o impulso tem mais a ver com a comoção pela morte da rainha do que pela figura do novo rei em si.

Nas poucas agendas públicas até aqui, ele buscou demonstrar apoio tanto à diversidade quanto à tradição: recebeu líderes de comunidades asiáticas, visitou a cidade de Dunfermline, na Escócia, e se reuniu com políticos australianos. Passou ainda a impressão de um tom mais informal, se aproximando dos súditos para cumprimentos. Nos bastidores, por outro lado, histórias menos festivas também vêm surgindo.

Uma delas é a confirmação de que o rei não irá à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP27, no mês que vem no Egito. Segundo a imprensa britânica, a primeira-ministra Liz Truss teria sugerido ao rei que recusasse o convite —publicamente, ela disse apenas que a agenda de Charles concerne só a ele e que suas conversas com o monarca são privadas.

Uma fonte do Palácio disse que ele concordou em não ir, mas ficou desapontado, e um ministro afirmou que o rei “tem outras prioridades agora”. Em seu lugar, deve viajar o príncipe William. O convite tinha sua razão: o primeiro discurso de Charles acerca do ambiente foi feito em 1970, quando ele tinha 21 anos, com alertas sobre as ameaças do descarte de plástico e de produtos químicos nos rios e no mar. No ano passado, ele fez a abertura da COP26 em Glasgow, substituindo a mãe, que precisou repousar.

Ao assumir o trono, o rei havia dito que deveria se afastar de atividades como a caridade e projetos de preservação do ambiente, para se dedicar aos assuntos de Estado.
Folhapress

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