O papa Francisco pediu nesta sexta-feira (4/11) a autoridades religiosas do Bahrein que ajudem a trazer o mundo de volta da ‘beira do precipício” e se oponham a uma nova corrida armamentista que, segundo o pontífice, está redesenhando as esferas de influência formadas no período da Guerra Fria.
A um conselho muçulmano, em Sakhir, ele discorreu sobre a responsabilidade de líderes religiosos na promoção da paz, do desarmamento e da justiça social e alertou para a instabilidade no mundo.
“Após duas terríveis guerras mundiais, uma Guerra Fria que durante décadas manteve o mundo suspenso, conflitos catastróficos em todas as partes do mundo e em meio a acusações e ameaças, continuamos à beira de um delicado precipício. E não queremos cair”, disse Francisco no pátio do palácio real.
O pontífice chegou ao país na quinta (3) e deve ir embora no domingo (6). Nesta sexta, ele encerrou um fórum de diálogo entre Ocidente e Oriente capitaneado pelo rei Hamad bin Isa Al Khalif —ao contrário da vizinha Arábia Saudita, cristãos podem praticar a fé publicamente e frequentar igrejas no Bahrein.
Sem citar nomes, mas em referência velada à Guerra da Ucrânia, o papa condenou o cenário em que “algumas potências estão envolvidas, num esforço obstinado por interesses partidários, revivendo uma retórica obsoleta, redesenhando esferas de influência e opondo blocos”.
Francisco defende o banimento total de armas nucleares e condena o mercado global de armamentos. Nesta sexta, disse ainda que líderes religiosos não podem apoiar guerras, uma alfinetada no chefe da Igreja Ortodoxa Russa, Cirilo —apoiador de Putin e da invasão da Ucrânia e já criticado pelo papa antes.
Outra vez sem dar nome aos bois, o pontífice repreendeu o financiamento do terrorismo e, dirigindo-se ao conselho muçulmano, elogiou os líderes que “veem no extremismo um perigo que corrói a religião genuína” e pediu mais diálogo entre o islã e outras doutrinas.
Reuters





