Oito meses após invadir a Ucrânia, a Rússia vê a guerra que iniciou chegar de vez a seu território. Diversas regiões do país, incluindo a capital, Moscou, foram colocadas em alerta máximo, e as quatro áreas anexadas do país vizinho, sob lei marcial.
A decisão foi anunciada nesta quarta (19/10) pelo presidente Vladimir Putin em uma reunião com seu Conselho de Segurança, que foi televisionada. É uma admissão tácita de que a situação está saindo do controle, a primeira do tipo no conflito.
Nos distritos federais central, onde fica Moscou, e sul, as autoridades poderão executar medidas de defesa civil e de apoio às Forças Armadas. Poderá haver um aumento no policiamento e controle de fluxo de pessoas, mas o prefeito moscovita, Serguei Sobianin, afirmou que nada vai mudar o ritmo da cidade.
Um comitê encabeçado pelo premiê Mikhail Michustin deverá detalhar ações adicionais. Nas oito áreas que fazem fronteira imediata com a Ucrânia, o chamado nível médio de resposta permitirá um reforço imediato de proteção da ordem, regime especial de transportes e comunicações, restrição na circulação e entrada/saída de pessoas e reassentamento de populações em áreas sob risco de ataques.
O nível máximo ocorre na Ucrânia ocupada. A lei marcial nas duas autoproclamadas repúblicas do Donbass, Lugansk e Donetsk (leste), e nas regiões administrativas de Kherson e Zaporíjia (sul) implica total controle sobre a vida civil e a possibilidade de medidas militares mais drásticas.
“Estamos trabalhando para resolver tarefas de grande escala, muito complexas, para garantir um futuro confiável para a Rússia e para nosso povo”, disse o presidente.
Há um temor de que o russo possa empregar uma ogiva nuclear tática, de baixa potência, com finalidade de barrar movimentos de tropas e assustar os ucranianos. Militarmente parece não fazer muito sentido, pois muitas seriam necessárias, elevando riscos de contaminação, e politicamente o Kremlin estaria arriscando a Terceira Guerra Mundial com a Otan (aliança militar liderada pelos EUA).
Desta forma, a ameaça parece ser isso, para ganhar tempo. Desde a semana passada, a dinâmica do conflito mudou. Usando um ataque atribuído a Kiev à ponte que liga a Crimeia que anexou em 2014 à região de Krasnodar, na Rússia, Putin determinou ataques à infraestrutura energética ucraniana.
Folhapress





