O presidente russo Vladimir Putin concedeu cidadania russa a Edward Snowden, ex-analista de sistemas que revelou um sistema de vigilância em massa do governo dos EUA, nesta segunda (26/9).
O nome do americano surgiu sem qualquer tipo de comentário do Kremlin em uma lista de 72 indivíduos estrangeiros a quem Putin havia conferido cidadania. O próprio Snowden não se pronunciou sobre o assunto até o momento.
Snowden fugiu dos Estados Unidos e ganhou asilo da Rússia em 2013, após expôr o funcionamento de programas de vigilância do governo de seu país e de aliados. Revelou, entre outras coisas, como era feito o monitoramento de comunicações de cidadãos americanos e estrangeiros, inclusive de líderes de países como Alemanha, França e Brasil. As autoridades americanas o acusam de espionagem e tentam há anos extraditá-lo para que ele seja julgado criminalmente pelo crime.
O americano havia entrado com um processo pedindo a cidadania russa no final de 2020. Na época, ele e a mulher, Lindsay Mills, anunciaram que esperavam um filho, e argumentaram que não queriam ser separados dele em “uma era de pandemias e fronteiras fechadas”. No mesmo ano, a Rússia concedeu ao ex-analista direitos de residência permanente, abrindo caminho para a cidadania.
O timing com que o pedido foi aprovado foi motivo de piada entre os russos, no entanto, que especularam se o americano seria obrigado a lutar na Guerra da Ucrânia. Na semana passada, Putin anunciou uma mobilização de reservistas para servir no conflito, a primeira do tipo desde a Segunda Guerra Mundial.
O advogado de Snowden, Anatoli Kucherena, afirmou à agência de notícias RIA que seu cliente não pode ser convocado, uma vez que não serviu ao Exército russo previamente. Ele acrescentou que Lindsay Mills também iniciou um processo para pedir cidadania no país. O ex-analista já declarou que não colabora com as agência de inteligência russas, e disse várias vezes que espera voltar aos Estados Unidos um dia.
Snowden também não deve se reunir com Putin, segundo afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov,à agência de notícias estatal Tass.
Folhapress





