A Rússia está pronta para negociar com todas as partes envolvidas na Guerra da Ucrânia, mas Kiev e o Ocidente se recusam a se envolverem em negociações, disse o presidente russo, Vladimir Putin, em entrevista transmitida neste domingo (25/12).
A invasão da Ucrânia pela Rússia há dez meses desencadeou o conflito europeu mais mortal desde a Segunda Guerra Mundial, e o maior confronto entre Moscou e o Ocidente desde a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962.
Não há, até agora, fim à vista para a guerra.
O Kremlin diz que vai lutar até que todos os seus objetivos sejam alcançados, enquanto Kiev afirma que não vai descansar até que todos os soldados russos sejam expulsos de todo o seu território, incluindo a Crimeia, que a Rússia anexou em 2014.
“Estamos prontos para negociar com todos os envolvidos sobre soluções aceitáveis, mas isso é com eles —não somos nós que nos recusamos a negociar, são eles”, disse Putin à televisão estatal Rossiya 1.
O diretor da CIA, William Burns, disse este mês que, embora a maioria dos conflitos termine em negociação, a avaliação da CIA é que a Rússia ainda não leva a sério as conversas.
Um assessor do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, disse que Putin precisava voltar à realidade e reconhecer que era a Rússia que não queria negociações.
“A Rússia atacou sozinha a Ucrânia e está matando cidadãos”, escreveu no Twitter Mikhailo Podoliak. “A Rússia não quer negociações, mas tenta evitar responsabilidades.”
Ataques da Rússia a instalações de geração de energia desde outubro deixaram milhões de ucranianos sem aquecimento e água.
“A ameaça de ataques aéreos e de mísseis inimigos em instalações críticas de infraestrutura permanece em todo o território da Ucrânia”, disse o estado-maior das Forças Armadas ucranianas em uma atualização no Facebook.
As tropas russas bombardearam dezenas de cidades e posições ao longo da linha de frente, causando baixas civis na região sul de Kherson. Moscou nega que tenha como alvo civis.
Segundo Putin, a Rússia está agindo na “direção certa” na Ucrânia porque o Ocidente, liderado pelos Estados Unidos, está tentando separar a Rússia.
Reuters





