“Estou sendo levado para ser fuzilado. Perdi muita gente lá. Lembre-se disso: não envie mais pessoas para cá. Já chega, eles querem matar todos nós.”
É a última mensagem que Viktor Sevalnev enviaria. Um condenado, que estava preso por assalto à mão armada e agressão, foi enviado da prisão para lutar pela Rússia na Ucrânia.
Depois que a maioria de seus colegas morreu em um ataque a uma fábrica nos arredores de Soledar, foi o ato de sobrevivência que se mostrou fatal para Sevalnev.
Em uma última mensagem para sua esposa, ele disse temer que funcionários do Ministério da Defesa da Rússia logo o tirassem de sua cama de hospital, onde gravou a mensagem de áudio, e o executassem. Dias depois, seu corpo foi devolvido à esposa em Moscou, em caixão fechado.
O destino insensível de Sevalnev se junta a uma lista crescente de reclamações de abuso de condenados com quem a CNN conversou.
Durante meses, a Rússia tem usado a obscura empresa privada de mercenários Wagner para reforçar sua presença na linha de frente com prisioneiros – um esquema inicialmente negado e secreto, mas depois promovido abertamente pelo proprietário do grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin.
Na quinta-feira (9), Prigozhin anunciou que o grupo havia parado de recrutar condenados para lutar na Ucrânia, dizendo que “aqueles que trabalham para nós agora estão cumprindo todas as suas obrigações”.
Nenhuma razão foi dada para a decisão e a CNN não pode confirmar as alegações de forma independente.
No entanto, Sevalnev e vários prisioneiros com quem a CNN conversou parecem indicar uma nova estratégia perturbadora. Eles dizem que foram contratados diretamente pelo Ministério da Defesa da Rússia.
Um oficial de inteligência ucraniano confirmou à CNN que os prisioneiros recentemente capturados pelas forças ucranianas disseram que eram empregados diretamente do ministério.
“Eles enfatizam para nós que não são Wagner, que foram convidados oficialmente pelo Ministério da Defesa”, disse à CNN Andriy Usov, representante de inteligência de defesa do Ministério da Defesa da Ucrânia.
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