Durou menos de uma semana e duas partidas a passagem de Cuca pelo Corinthians. Diante da renovada repercussão do caso de violência sexual registrado em 1987, na Suíça, com condenação do paranaense, a diretoria do clube do Parque São Jorge se viu obrigada a rescindir seu contrato pouco após a assinatura.
O anúncio da saída foi feito pelo próprio treinador já na madrugada desta quinta-feira (27/4), horas depois de o time alvinegro avançar para as oitavas de final da Copa do Brasil, superando o Remo, nos pênaltis.
“Foi quase um massacre o que acabou acontecendo”, afirmou o treinador em um breve pronunciamento, sem permitir perguntas. “Eu saio neste momento, mas não é porque eu queira. Se espera uma vida inteira para estar aqui. Mas é um pedido da minha família.”
“O que estou passando, e quero ser bem breve, porque não quero ser vítima de nada, é a pior coisa que um homem pode passar. Quando está em xeque a dignidade dele. Quando invade as redes sociais das filhas e mulher com ameaças e ofensas descabidas”, acrescentou o treinador. “Se Deus quiser, um dia eu volto.”
Em sua apresentação, na última sexta-feira (21), sob protestos, o treinador de 59 anos se disse inocente no episódio e afirmou que a vítima, uma menina que à época tinha 13 anos, não o reconheceu como um dos agressores. Nesta terça (25), no entanto, o advogado que a representou refutou essa versão.
“A garota o reconheceu como um dos estupradores”, afirmou o suíço Willi Egloff ao UOL. Aí, a pressão, que já era grande em torno do presidente alvinegro, Duilio Monteiro Alves, e do próprio técnico, tornou-se insustentável. Em nota publicada à noite, a agremiação anunciou o fim do acordo. Não havia multa rescisória estabelecida.
Alexi Stival, o Cuca, enfrentou enorme rejeição de boa parte da torcida do Corinthians desde o acerto. Até a identificação com o arquirrival Palmeiras –time para o qual o ex-jogador sempre disse torcer e com o qual foi campeão brasileiro– ficou em segundo plano diante do episódio de 36 anos atrás, em Berna.
O caso se deu quando o então meia tinha 24 anos e havia acabado de chegar ao Grêmio, que fazia uma excursão pela Europa.
Cuca não foi à Suíça para se defender nem para cumprir a pena estipulada para o crime, que prescreveu. O caso teve repercussão, mas esfriou, não foi grande empecilho para a carreira de Stival como meia e, até pouco tempo atrás, não atrapalhou sua trajetória como técnico. Foi só nos últimos anos, na esteira de transformações da sociedade, que o episódio ressurgiu.
O treinador, apresentado enquanto um grupo de cerca de 200 torcedoras e torcedores pediam sua saída na porta do centro de treinamento alvinegro, disse estar alinhado a essas transformações. Afirmou que deseja um mundo melhor para suas filhas e sua mulher. E declarou inocência, apontando que a vítima não o havia reconhecido como um dos criminosos.
A entrevista do advogado que representou a menina e sua família, no entanto, acabou por enfraquecer a versão exposta na semana passada. Willi Egloff lembrou ainda que exames forenses apontaram vestígios de sêmen de Cuca no corpo da garota, conforme noticiado à época pelo jornal Der Bund, de Berna.
Folhapress





