A Justiça de Barcelona (Espanha) negou um recurso da defesa de Daniel Alves e decidiu nesta terça-feira (21/2) manter a prisão preventiva do jogador brasileiro enquanto ele aguarda julgamento no país. O argumento para a decisão foi o “alto risco de fuga”, informou a agência AFP.
O lateral de 39 anos é suspeito de ter estuprado uma jovem de 23 anos na área VIP de uma boate de Barcelona, no dia 31 de dezembro do ano passado. O atleta está preso há um mês, desde 20 de janeiro, no centro penitenciário Brians, na região metropolitana da capital da Catalunha.
Em entrevista à Folha no domingo (19), o advogado Cristóbal Martell Pérez-Alcalde, responsável pela defesa de Daniel Alves na Espanha, disse acreditar que o cliente poderia ser colocado em liberdade após o recurso apresentado.
O advogado admitiu, porém, que o caso do também brasileiro Robinho poderia dificultar esse pedido de liberdade. Isso porque o atacante vive livre no Brasil, apesar de ter sido condenado na Itália por estupro de uma jovem em uma boate de Milão, em 2013.
“Claro, não nos ajuda. O Brasil, como tantos outros países, também a Espanha, não entrega seus cidadãos […] O fato de a Itália, até hoje, não ter tido sucesso no cumprimento da sentença de Robinho não ajuda a liberdade provisória de Daniel Alves. Mas isso não pode ser um argumento definitivo. Isso não significa um espaço de impunidade”, afirmou o advogado.
A situação de Robinho, de fato, foi utilizada como argumento pela advogada da autora da denúncia contra Daniel Alves, de acordo com a AFP.
O tribunal de Barcelona considerou que “existe um alto risco de fuga, devido à elevada pena que pode ser aplicada no presente caso, aos graves indícios de criminalidade contra o suspeito e à capacidade econômica que lhe permitiria deixar a Espanha a qualquer momento”.
A pena prevista para crimes de agressão sexual no país europeu chega a 12 anos de detenção.
se Daniel Alves chegasse ao Brasil, “não seria entregue nem por ordem internacional de prisão ou extradição”, acrescentou o tribunal, reforçando o entendimento de que o país não extradita seus cidadãos.
Tampouco a imposição de uma fiança cara serviria como impedimento para o jogador, já que “ele possui um grande patrimônio”, diz a decisão.
Sobre o uso de um dispositivo eletrônico para monitorar os passos do lateral, o tribunal considerou que o equipamento “não visa geolocalizar a pessoa que o instalou, mas sim proteger a vítima e impedir que uma ordem de distanciamento seja descumprida”.
Folhapress





