Yevgeny Shumilkin voltou ao trabalho no domingo (12/6). Para se preparar, ele tirou o famoso “M” da sua antiga camisa do McDonald’s e cobriu o da jaqueta com uma bandeira russa. “Serão os mesmos pães”, prometeu Shumilkin, que mantém o equipamento em um restaurante em Moscou. “Apenas com um nome diferente.”
Os restaurantes McDonald’s reabriram na Rússia neste fim de semana, mas sem os Arcos Dourados. Depois que a gigante americana de fast-food se retirou nesta primavera, em protesto contra a invasão da Ucrânia por ordem do presidente russo, Vladimir Putin, um magnata do petróleo siberiano comprou suas 840 lojas russas. Como quase todos os ingredientes vêm do próprio país, disse ele, as lanchonetes poderão continuar servindo a mesma comida.
A jogada pode funcionar —ressaltando a surpreendente resiliência da economia russa diante de uma das mais intensas avalanches de sanções já aplicadas pelo Ocidente.
Com cerca de três meses e meio de guerra, ficou claro que as sanções —e a torrente de empresas ocidentais que deixaram voluntariamente a Rússia— não conseguiram desmontar completamente a economia ou desencadear uma reação popular contra Putin.
A Rússia passou grande parte dos 22 anos do governo Putin integrando-se à economia mundial. Desfazer laços comerciais tão grandes e tão intricados, ao que parece, não é fácil.
Sem dúvida, o impacto das sanções será profundo e amplo, e as consequências apenas começam a se manifestar. Os padrões de vida na Rússia já estão em declínio, segundo economistas e empresários, e a situação deverá piorar à medida que os estoques de importações diminuírem e mais empresas anunciarem demissões.
Alguns esforços do tipo “faça você mesmo” da Rússia podem ficar aquém dos padrões ocidentais.
Mas o declínio econômico não é tão intenso quanto alguns especialistas esperavam que fosse após a invasão de 24 de fevereiro. A inflação ainda é alta, em torno de 17% em base anual, mas caiu de um pico de 20 anos em abril.
The New York Times





