17/09/2026

Papa esclarece comentários sobre homossexualidade e pecado.

O papa Francisco esclareceu os recentes comentários feitos sobre homossexualidade e pecado, dizendo que ele estava simplesmente se referindo ao ensino moral católico oficial de que qualquer ato sexual fora do casamento é pecado. Em nota na sexta-feira (27/1), o pontífice argentino lembrou que mesmo esse ensino está sujeito a circunstâncias que podem eliminar o pecado.

O papa fez os comentários pela primeira vez em uma entrevista à a agência de notícias Associated Press na terça-feira (24), na qual declarou que as leis que criminalizam a homossexualidade eram “injustas” e que “ser homossexual não é crime, mas pecado”.

“Bem, primeiro vamos distinguir pecado de crime. Mas a falta de caridade para com o próximo também é pecado”, afirmou o pontífice, na ocasião.

Suas palavras foram saudadas por ativistas LGBTQIA+ como um marco que ajudaria a acabar com o bullying e a violência contra as pessoas da comunidade. Mas sua referência ao “pecado” levantou questões sobre se ele acreditava que o mero fato de ser gay era em si um pecado.

James Martin, um jesuíta americano que dirige o Outreach para católicos LGBTQIA+ no país, pediu esclarecimentos a Francisco e postou a resposta manuscrita do pontífice no site do Outreach na sexta-feira.

Em sua nota, Francisco reafirmou que a homossexualidade “não é crime” e disse que falou “para sublinhar que toda criminalização não é boa nem justa”.

“Quando eu disse que é pecado, estava simplesmente me referindo ao ensinamento moral católico que diz que todo ato sexual fora do casamento é pecado”, escreveu o papa.

Mas, em um aceno para sua abordagem pastoral caso a caso, ele observou que mesmo esse ensino está sujeito à consideração das circunstâncias, “que diminuem ou anulam” a culpa.

Ele reconheceu que deveria ter sido mais claro em sua entrevista à AP, mas disse que usou “linguagem natural e coloquial” que não exigia definições precisas.

Georg Gänswein revelou que Bento XVI se sentia “vigiado” pelo sucessor, com quem tinha divergências dentro da Igreja Católica; Vaticano não reagiu oficialmente, mas ex-funcionário foi chamado para reunião.

“Como podem constatar, eu estava repetindo uma coisa geral. Eu deveria ter dito: ‘É pecado, assim como qualquer ato sexual fora do casamento. Isto, falando da ‘matéria’ do pecado, mas bem sabemos que a moral católica, além da matéria, avalia a liberdade, a intenção; e isso, para todos os tipos de pecado”, disse Francisco.

Cerca de 67 países ou jurisdições em todo o mundo criminalizam relações consensuais entre pessoas do mesmo sexo, e 11 deles podem ou carregam a pena de morte, de acordo com o The Human Dignity Trust, que está trabalhando para acabar com essas leis.

Especialistas apontam que mesmo quando as leis não são cumpridas, elas contribuem para o assédio, estigma e violência contra pessoas LGBTQIA+.
Estadãon

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