O papa Francisco condenou, nesta quinta-feira (3/11), a pena de morte e defendeu a liberdade religiosa em um discurso no Bahrein. O país árabe, governado por uma monarquia sunita desde o século 18, é acusado de perseguir xiitas e de burlar os direitos humanos de presos.
“Penso em primeiro lugar no direito à vida, na necessidade de garantir esse direito sempre, inclusive para aqueles que estão sendo punidos, cujas vidas não devem ser tiradas”, afirmou o pontífice ao lado do rei Hamad bin Isa Al Khalifa, no palácio real da região de Sakhir.
Essa é a segunda viagem de um papa à Península Arábica –a primeira, também feita por Francisco, foi em 2019, aos Emirados Árabes Unidos. A atual visita do pontífice chamou a atenção para os coflitos entre o governo do Bahrein e a comunidade xiita do país, responsável por liderar grandes protestos pró-democracia durante a Primavera Árabe. Na época, as manifestações foram anuladas com a ajuda da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes.
Desde então, a monarquia prendeu e condenou milhares de manifestantes, jornalistas e ativistas. Além disso, nos últimos anos, o país reacendeu sua rígida política de pena de morte; desde 2017, segundo a ONG Human Rights Watch, seis prisioneiros foram condenados à morte e outros 26 esperam a confirmação do rei para o cumprimento da sentença.
Nos últimos dias, aliás, as famílias desses presos e defensores de direitos humanos apelaram ao papa para se manifestar contra a pena de morte. Após a fala do pontífice, Sayed Ahmed Alwadaei, diretor do Instituto de Direitos e Democracia do Bahrein, disse que a fala de Francisco era um “momento histórico” e instou o rei a libertar aqueles que, segundo ele, estão presos injustamente.
Para Alwadaei, a soltura desses condenados seria o “começo da cura do país depois de anos de violência e opressão”. Fato é que o Bahrein rejeita as críticas das Nações Unidas sobre a condução de julgamentos e diz que segue o direito internacional em todos os casos.
AFP e Reuters





