17/09/2026

OPINIÃO – Retrocesso evolutivo: humilhação x honra.

A Guerra da Rússia frente a Ucrânia leva mais do mesmo, como sempre. Direitos humanos, ações antiéticas e imorais não pararam em guerras passadas e nem pararão. A humanidade não aprendeu com seus erros, a mais antiga e vexatória “arma de guerra” continua desolando e acabando com famílias inocentes.

Diversas notícias e laudos mundo afora mostram as atitudes de tropas russas e solo ucraniano. Corpos encontrados com indícios de estupro, jogados em valas públicas, esgotos, incinerados, afim de esconder a atrocidade, que mais uma vez se repete. Infelizmente isso não é uma novidade, segundo Thomas Hayden, autor de Sex and War: How Biology Explain Warface and Terrorism and Offers a Path to a Safer World, esse ato deplorável ocorre desde a era primata da espécie humana, as primeiras guerras eram motivadas através de estupros, o ato era visto como prêmio e conquista pelos agressores e como uma humilhação eterna pelas vítimas. Homens mortos, crianças agredidas e vendidas, jovens e mulheres estuprados e distribuídos entre soldados agressores como espólios eram retratos ocorridos em guerras passadas.

Mas então, por quê? Como algo tão nojento e imoral é praticado dessa maneira? Esse retrocesso mental, apesar de crime hediondo é um ato corriqueiro, usado como uma arma de guerra, mais traumatizante e agressivo que muita bala ou bomba. Casos de denúncia em guerras recentes, como investigação da Human Rights Watch de tráfico e estupros à mulheres que buscam fugir da Guerra da Síria e o Líbano desde 2011, ou levantamento de dados de Thomas Osório, cientista e pesquisador dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, a ONU, que aponta diversos casos de famílias que são estupradas em nome da guerra e não conseguem voltar a viver após ter perdido uma parte de si, após serem violados, agredidos e tratados como um objeto sexual.

Entender a gravidade desse crime é o mínimo para se compreender o que é humanidade, ou até o porque convivemos em sociedade. Guerra passa, Guerra vem e essa problemática só continua a ser usada como meio de demérito. O impacto social gera mais trauma e morte do que simplesmente assassinar esses inocentes. Durante a guerra, quando alguém é morto é visto como herói, resistência, defensor de sua pátria e cidadãos. Entretanto, ao estuprar, violar, traumatizar e matar parte deles a mensagem é clara, vexatória e desoladora para quem viveu todo um trauma, as vezes em nome de nada, as vezes para manutenção “moral” de Estados, não de pessoas.

Condenar esses atos é dever de todos aqueles que prezam por paz, por humanidade, que almejam respeito e cordialidade. A espécie evolui, porém, seus atos primitivos violadores ficaram congelados na pré-história, o desenvolvimento interpessoal e societário só se mostra fragilizado através destes crimes.

A partir do momento que a prioridade for de fato a resolução de problemas e, não, o engrandecimento dos cabeças por trás desse sistema, e que os homens que lutam por eles entendam a verdade pela qual lutam e não se rebaixem a banalidades como estuprar inocentes, torturar, matar e separar famílias, talvez nesse dia os humanos de fato tenham evoluído realmente, esse dia um dia chegará?

Temo, infelizmente, que não.

Henry Correa Dias de Oliveira, técnico em administração e bacharelando em Relações Internacionais.

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