O desemprego e o aumento do custo de vida têm levado brasileiros que vivem em Portugal a pedir ajuda para voltar ao Brasil. Entre janeiro e março, a agência da ONU para migrações recebeu 363 pedidos de auxílio, o que representa uma alta de quase 300% em relação a 2022. Quem mora no país europeu reclama, principalmente, do valor dos aluguéis.
Adenilson Junior e Alana Koslowski deixaram uma vida estável no Brasil e um apartamento próprio pelo sonho de morar em Portugal, em maio do ano passado. O casal fazia parte do grupo de mais de 233 mil brasileiros com residência no país europeu. Diante das dificuldades encontradas com a alta dos preços e o desemprego, os dois, então, decidiram voltar pro Brasil no início do mês.
Esse movimento de retorno tem se intensificado nos últimos meses. Esse ano, o Programa de Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração da agência da ONU para migrações recebeu, em média, quatro pedidos de ajuda por dia de brasileiros que queriam deixar Portugal. Entre janeiro e março, foram 363 casos, um número 290% maior do que o registrado no mesmo período de 2022, quando o programa recebeu 125 pedidos de ajuda. Esse ano, 97 pessoas que viviam em Portugal conseguiram voltar ao Brasil.
O Consulado do Brasil em Portugal também recebe pedidos de ajuda de brasileiros querendo retornar, mas a advogada de Imigração Ingrid Barachinni afirma que o governo federal não é obrigado a trazer ninguém de volta. A especialista orienta buscar ajuda com parentes, negociar taxas com empresas aéreas e procurar informações no Consulado.
“A obrigação ele não tem. O Consulado tem outra finalidade que é de emissão de vistos, apoio, em caso de guerra, pessoa em extrema necessidade. No caso da pandemia, vários aviões vieram para o Brasil. Então em casos de calamidade, como problema na Rússia. Agora, uma pessoa em específico não vai ter esse atendimento personalizado, de ir pagando. Senão, vai todo mundo tentar, e depois não dando certo, vai voltar às custas do governo brasileiro. Mas podo ter uma portaria, decreto, que apoie sssas pessoas, por exemplo”.
O Itamaraty disse, em nota, que a repatriação é uma medida excepcional de assistência, destinada a pessoas efetivamente necessitadas e em situação de vulnerabilidade.
CBN





