Enquanto milhares de pessoas foram às ruas do Reino Unido para lembrar a rainha Elizabeth II após sua morte na semana passada, os críticos da monarquia aproveitaram a oportunidade para protestar, segurando cartazes como “Not my king” – “Não é meu rei”, uma referência ao novo Rei Charles III. A polícia interveio e, em alguns casos, prendeu manifestantes, levantando sérias questões sobre a maneira como algumas forças estão reprimindo a dissidência no país.
Liberty, um grupo de defesa dos direitos civis, expressou sua preocupação, dizendo em um comunicado: “É muito preocupante ver a polícia aplicando seus amplos poderes de uma maneira tão pesada e punitiva para reprimir a liberdade de expressão”.
Symon Hill, de Oxford, estava voltando da igreja no domingo por volta das 12h30. O homem de 45 anos disse à CNN que as estradas no centro da cidade foram isoladas para uma procissão, dificultando a atravessar a multidão. Percebendo que a ascensão do rei Charles III estava prestes a ser proclamada pelas autoridades locais, Hill decidiu ouvir em vez de insistir para chegar em casa.
“Eles começaram a ler sobre Elizabeth II e expressar tristeza por sua morte”, disse Hill. “Eu certamente não interromperia isso. Eu nunca me intrometi em um ato de luto. Isso não é algo que eu jamais faria.”
Mas quando o rei Charles foi declarado “nosso único senhor legítimo por direito”, Hill disse que gritou: “Quem o elegeu?”
“Apenas as pessoas realmente próximas poderiam ter ouvido. Algumas pessoas me disseram para calar a boca. Respondi que um Chefe de Estado está sendo imposto sem nosso consentimento”, algo que ele achou “difícil de engolir”.
Hill disse que ficou “chocado” com o que aconteceu em seguida, descrevendo como foi empurrado pelos seguranças. “Então a polícia interveio, me agarrou, me algemou e me colocou na parte de trás de uma van da polícia”, disse ele. “Provavelmente não passaram mais de cinco minutos desde que eu gritei ‘quem o elegeu?’”
Enquanto isso, em um incidente isolado na capital escocesa na segunda-feira (12), um homem de 22 anos foi preso “em conexão com uma violação da paz na Royal Mile”, informou a agência de notícias britânica PA Media.
Milhares de pessoas enlutadas encheram as ruas de Edimburgo enquanto o carro funerário da rainha, acompanhado por membros da família real, seguia do Palácio de Holyroodhouse para a Catedral de St. Giles. A polícia da Escócia disse que um membro da multidão quebrou o silêncio ao insultar o príncipe Andrew, chamando-o de “um velho doente”.
CNN Brasil





